O CANALHA HONESTO

Hoje quero lhe apresentar um personagem que passará a ficar recorrente em minhas crônicas: Naldo, o canalha honesto. “Ora, Guilherme, como assim um canalha honesto? Se é canalha, não é honesto, se é honesto, não é canalha.” Calma lá. Deixe-me explicar-lhe este paradoxo maravilhoso. Antes, é preciso fazer um adendo: o canalha aqui, é o canalha do afeto, aquele que não poupa nem as cunhadas, como dizia Nelson. Naldo é este canalha, ou melhor, fora este canalha, como ele mesmo diz.

Se bem que não acredito muito nesse papinho de ex canalha. Um canalha tende a ter cristalizado na alma a canalhice. Levará para a eternidade. Não sabemos se Deus aceitará os canalhas no céu, mas, quem sabe os canalhas honestos? Fica aí a possibilidade, e, se Deus estiver lendo isso aqui, posso falar que o Naldo é um homem bom de coração. Eis o que quero dizer. Naldo é o canalha honesto pelo simples fato de deixar claro a sua intenção antes do coito.

O Naldo não é o canalha que promete mundos e fundos para a dama em sua frente simplesmente porque deseja usá-la para o seu prazer e, no outro dia, após satisfazer sua vontade primal, a descarta como se a dama fosse um objeto insosso e inanimado. Nada disso. O homem é de uma honestidade lancinante, dolorida, que tende a deixar marcas. Ele chega, e antes de partirem para o sexo, diz: “É só por hoje. Eu não quero nada sério. Não é para você se apaixonar.” Cá entre nós, leitor, é ou não é um canalha honesto? E mais: é carinhoso enquanto está com a moça. Não é daqueles canalhas que sequer olham nos olhos da mulher, que sequer oferecem um carinho após o clímax, pois em seus corações enregelados e siberianos só há espaços para eles mesmos se amarem.

Naldo é daqueles capaz de dormir com a moça de conchinha uma noite inteira, e então, assim que toca o despertador pela manhã, ele se veste, e como se nada tivesse acontecido, ele deixa a moça na imensidão de uma cama vazia.

Onde está o óbvio nesta história? Qual mulher não se apaixonaria por um homem que possui uma boa conversa, demasiadamente sincero, com boa pegada e que ainda dá carinho? Todas! O canalha honesto é mais nefasto para a alma feminina do que o canalha comum, justamente pelo fato da sinceridade e do carinho, adjetivos que sequer dão as caras nos canalhas unânimes. Destes últimos, as mulheres desapegam na força do ódio, pois não passam de uns mentirosos de uma figa. Já dos canalhas honestos, não há nada do que reclamar. Eles avisaram que era só por uma noite.

Eu, por pouco, não me tornei um canalha. Espere, minto. Já fui um canalha, e da pior espécie. Minto de novo. Não era da pior espécie. Não prometia nada além de uma trepada desesperada, porém, não conseguia dar um mísero de carinho e intimidade para aquela alma feminina, a qual implorava por afeição, por amor, e não apenas por sexo sujo e barato — aliás, nenhuma mulher deseja apenas sexo sujo e barato, nenhuma. Mulheres existem para serem amadas e desejadas. E é isso o que elas querem. As prostitutas, as periguetes, as vagabundas, as feministas, as religiosas, as recatadas. Todas elas.

Deixe-me voltar à história, pois descobri que menti mais uma vez. Eu não era tão frio assim. Sempre fui um obsessivo pelo beijo, o beijo molhado, o beijo com saliva. Não me venham com beijo chocho, daqueles sem saliva e sem língua. E por que falo do beijo? Os canalhas mais frios sequer beijam suas amantes na boca, e beijar os lábios da mulher é um ato carinhoso. Por que você, leitor, acha que as prostitutas não beijam na boca? O beijo na boca é íntimo, apaixona, acalenta. Diferente de uma penetração insossa entre dois objetos feitos de carne.

Para um canalha que está afogado na luxúria, beijar a amante na boca é como entrar excitado e ereto numa igreja. Ou seja, são contrastes que não cabem em seus contextos. E eu beijava. Já é alguma coisa. Meu coração não era tão enregelado e siberiano quanto os dos canalhas comuns. Minha quarta e última mentira desta crônica: talvez há salvação para os canalhas. Eu me salvei. Me salvei no sentido de me doar apenas para uma mulher. Eis o milagre: um ex canalha niilista que passou a acreditar no amor, na monogamia e no romantismo. Ok, não é bem assim. O que de fato acontece é que o canalha descobre a magia da intimidade; ele percebe o quão maravilhoso é ter alguém de verdade em sua frente, cuja intimidade lhe é concedida, e não simplesmente dada a você como um objeto qualquer. Eu já falei por aqui que a sua intimidade é o seu relicário? Se não, fica aí este óbvio.

Quero finalizar esta crônica com este personagem que se tornará espectral por aqui: Naldo, o canalha honesto. Estes dias, enquanto conversávamos a esmo, eis que o bendito fruto me diz: “Tá pegando pesado na academia, hein?!” E o Naldo é magricelo, fino, liso. Nelson dizia que todo canalha é magro. Toda vez que olho para o Naldo, lembro desta frase do Nelson. Então resolvo perguntar para o canalha honesto: “E você, nunca pensou em fazer musculação e ganhar músculos?” E o bendito fruto me dá uma resposta triunfal: “Se assim já chove mulher, imagina se eu ficar musculoso?! Aí eu não vou ter mais paz na minha vida. Eu já assumi pra mim que eu não posso ficar muito gostoso.”

Eu gosto desse cara.

Romantismo, amor e o Dia dos Namorados

Sou um romântico ridículo, e repito: o ridículo é uma de minhas dimensões mais válidas. Acredito no amor eterno. Acredito no amor que vai além da vida e além da morte. Deus me livre ser um niilista do afeto, daqueles que desacreditam tanto no amor que passam a ver atos românticos como frescuras e hipocrisias. Eu entendo que grande parte do romantismo tornou-se marketing, ou seja, dane-se o outro que está em minha frente, o que me motiva é a foto e o storie no Instagram, pois preciso mostrar como sou amado para o mundo. Isso existe.

Entretanto, isso não tira a verdade do romantismo. E que verdade seria essa? Significado! Coloquem isso na cabeça: o romantismo dá significado para a relação. Eu sempre lembrarei do momento no qual pedi minha mulher em namoro e entreguei-lhe a aliança. Melhor ainda: o momento em que a pedi em casamento. Aquilo foi sublime. Aquilo irá tocar as nossas almas até o fim de nossos dias. Tornou-se um marco monumental em nossa relação. E uma relação sem estes gestos perdem o significado, e tudo que perde o significado termina em niilismo, em desvalores, em vazio.

O amor é uma construção. E em toda construção existem os marcos: assentamento, os pilares, as paredes, os acabamentos e etc. Quero que vocês entendam que os marcos na construção do amor são os atos românticos. Não aceitem uma relação na qual não existe sequer um pedido de namoro, uma aliança, um jantar especial, um presente especial, um momento especial. E mais: os atos românticos quebram a rotina ao meio, e quebrar a rotina ao meio é maravilhoso, pois o desejo tem ojeriza à rotina.

Quantas e quantas vezes eu olhei para o Dia dos Namorados como uma chatice, como quem diz: “Mais uma vez terei de gastar dinheiro com essa baboseira!” Perceba, leitor, o meu niilismo abjeto. Isso mostra o quanto eu era um mesquinho e um egoísta de uma figa. Ninguém merece conviver com alguém assim, pois a base de uma relação é a doação, é servir o outro. Sem isso, não há relação possível. Sem isso, não há terreno fértil para que nasça o amor. E sem amor, não há bodas de ouro, nem de prata, nem de bronze. Sem amor, não há nada! Só a solidão insossa daqueles que preferem morrer lambendo as próprias feridas.

Feliz aniversário

Hoje falarei sobre intimidade. E por quê? Porque a pessoa que me premiou com o seu relicário — sua intimidade é o seu relicário, coloquem isso na cabeça — está de aniversário. Por isso que enfatizo de uma forma até meio obsessiva por aqui: não entreguem sua intimidade assim, de bandeja, para qualquer transeunte, ainda mais se for um pulha ou um canalha qualquer. Ao fazer tal ato abjeto, você mancha a sua alma. Há gente que a maculou tanto, mas tanto, que passaram a desacreditar no amor e se tornaram, de fato, uns desalmados, uns niilistas do afeto.

Mas eis o que eu queria dizer. A loira mais bela está de aniversário, mas quem ganhou o presente fui eu. Eu sei, é clichê usar estas frases manjadas, mas e daí? “Eu te amo” também virou clichê. “Eu te amo” se tornou tão banal e vulgar a ponto de o sujeito dizer estas três palavras mágicas por aí como se fosse “bom dia”. Ora, numa relação íntima, o “eu te amo”, mesmo que seja banal, é verdadeiro. O mesmo serve para “o aniversário é seu, mas quem ganhou o presente fui eu”. Me julguem.

O presente que ganhei resume-se em intimidade. Toda relação valorosa e verdadeira, por obrigação, é uma relação onde ambos são demasiadamente íntimos um do outro. Ah, e como nós somos íntimos. A conchinha é perfeita. A conchinha também é uma de minhas obsessões. Morrer sem nunca ter dormido de conchinha com o ser amado deve ser triste. Não é à toa que existem espíritos ressentidos por aí, que morreram sem sentir o gosto daquela conchinha íntima em pleno inverno. O que lhes resta é assombrar os quartos alheios.

Aliás, só existe conchinha íntima. Sem intimidade não há possibilidade de conchinha, nem de carinho e muito menos de amor. Não há presente maior do que deitar-me com ela. Eu a abraço e afago seu rosto enquanto ela dorme; passo minhas mãos pesadas sobre aquela pele macia; nossas pernas se entrelaçam. Aspiro a fragrância pura que sai daqueles poros femininos, e isso é alento para a minha alma masculina. Por um momento, o pensamento de perdê-la passa por minha consciência, então a abraço mais forte. De minha boca sai um sussurro sincero: “Eu te amo! Você não tem noção do quanto eu te amo. Eu poderia morrer por ti a qualquer momento.”

Feliz aniversário.

O amor perdoa inclusive traição

O homem é capaz de amar sua esposa e mesmo assim traí-la. Escrevo isso e sinto que se insinua em minhas palavras uma provocação irresistível a você, leitor, que chegou aqui de supetão. “Ora, como assim quem ama trai?! Você enlouqueceu?” Pois é. Mas calma lá. Eu disse apenas que ele é capaz de tal obscenidade. Isso não é a mesma coisa que dizer: quem ama trai!

Conheci homens que fizeram bodas de prata e até de ouro, homens digníssimos, que matariam, que dariam as suas vidas por suas esposas, porém, lá estava a mácula em suas almas. Sim! Os samaritanos já haviam traído seus amores. Há quem diga que isso não é amor. Protesto! O amor está dentro do homem, assim como a luxúria, a inveja, a avareza, a soberba. Somos pecadores. Isso é um óbvio ululante.

E não, não estou fazendo apologia à traição masculina. Deus me livre defender o adultério. Já pensou: a moça descobre uma traição e trata de tirar satisfação com o marido traidor. Eis que o canalha responde: “É meu instinto, amor. Sou pecador, mas te amo. Aquele tal de Guilherme Angra que disse.” Não! Vá se deitar, caso você, homem incauto e canalha, ousar dizer uma patifaria destas, e ainda queimar o meu filme. Sou um romântico, acredito no amor eterno.

Acontece que numa relação amorosa, nada é preto no branco, há sempre algo nebuloso no ar. Quantas e quantas vezes ouvi de bocas juvenis e ressentidas: “Eu nunca perdoaria uma traição! Isso seria humilhante.” Vociferar estas frases por aí, quando não se tem um mísero vínculo amoroso e verdadeiro com ninguém, é fácil, beirando ao cruel. Entretanto, ao estar dentro de uma relação íntima, daquelas pelas quais imaginamos morrer com o ser amado, é outra história.

Ao atender algumas mulheres em consultório que já tinham sido traídas, mas que perdoaram a traição, algumas delas diziam que o pior não foi perdoar a traição e voltar com o marido, o pior foi aguentar familiares, “amigas”, colegas de trabalho, dizendo que isso era repugnante, além de ser uma humilhação.

Eu perguntava: “Mas e a sua relação com o marido, como está?” A resposta era certeira: “Estamos bem. Talvez, até melhor do que antes.” O amor perdoa inclusive traição, caso contrário, não seria amor.

Talvez o problema seja você, e não o mundo.

Você entrou em diversos relacionamentos e naufragou? Costuma ter o “dedo podre” para o sexo oposto? Desacreditou no amor após tantas decepções? Costuma rotular suas relações antigas como “tóxicas”? Leia este texto. Provavelmente ninguém nunca lhe disse isso assim, na fuça, mas, provavelmente, você está mascarando suas sombras, projetando seus defeitos nos outros e nunca olhando para dentro de si. Resumindo: talvez o problema seja você, e não o mundo.

É normal mascararmos coisas ruins em nós. E por que fazemos isso? Nosso ego não gosta de ser humilhado, de sair perdendo, de sentir-se inferior. Então, para se proteger, ele usa de alguns artifícios: projetando o seu defeito em outras pessoas ou mascarando suas fraquezas com palavrinhas bonitinhas.

Eu, tempos atrás, me sentia “o cara” quando dizia por aí que eu era um homem demasiadamente prudente. A verdade era que eu estava mascarando algo em mim: uma covardia monumental. Sim, meu caro. Eu era um covarde de uma figa que me apegava ao planejamento, à organização, mas no momento de colocar o pau na mesa, eu recuava com a justificativa do “é muito arriscado seguir adiante”. Eu era um covarde. Ponto final.

Olhe para dentro de si. Quantas coisas ruins você está mascarando com palavras e conceitos vazios? Como aqueles que dizem ter uma “personalidade forte” ou “sou muito intenso”. Quantos defeitos seus você está projetando nos outros? Pense na pessoa que você mais odeia, mais possui ressentimento, mais faz fofoca dela para os outros… pensou? Ora, talvez essa pessoa possa ser um espelho seu. Eu sei, é difícil fazer esta análise. Dói, mas vale a pena.

Só pelo fato de você tentar enxergar as suas sombras, você já está na frente da maioria quando o assunto é desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. E por quê? Porque não há nada mais forte do que uma pessoa consciente de si mesma. Consciente de suas sombras, suas maldades, suas virtudes, suas falhas, suas fraquezas e suas forças.

É maravilhoso conviver com alguém que se conhece ou está aberto a esta busca, pois, normalmente, o que inicia o caos dentro de qualquer relação, é a ignorância sobre si mesmo.

O inferno normalmente não são os outros, é você.

O inferno normalmente não são os outros, é você. Eu sei, pode ser difícil olhar para a nossa sujeira, para a nossa maldade inata, para as nossas sombras, mas este é o único caminho possível para não nos tornarmos prepotentes, arrogantes, malévolos e ressentidos com a humanidade. A essa altura você percebeu o porquê usei a foto da Karol Conká.

Eu poderia ter usado uma foto da Lumena ou do Felipe Neto, tanto faz. Todas estas personalidades têm algo em comum: não possuem um pingo de maldade em suas entranhas límpidas. Quer dizer, eles acreditam piamente nisso — ou acreditavam, no caso da Karol. Eis o caminho mais perigoso para o mal. E por quê? Porque quem não tem consciência de sua capacidade para a vilania, o fará muitas vezes de maneira inconsciente, sem controle algum.

Se a pessoa não enxerga o seu inferno, normalmente, os outros à sua volta lhe mostram. Mas vivemos em tempos pusilânimes. Quando você analisa os comportamentos da Karol e da Lumena no BBB, o que me choca não é o comportamento em si, mas o silêncio dos transeuntes diante da maldade. Ninguém falava nada, era um silêncio de velório, pelo menos no velório ouve-se o choro sincero de algum ente querido, mas lá no BBB, nadica-de-nada, não havia nem aves para gorjear.

Isso nos mostra como se formam as Karóis e as Lumenas: uma mistura de burrice interna, pois não enxergam o próprio inferno, com a covardia externa de quem lhes rodeia, e pior, ainda aplaudem estes comportamentos repulsivos. “Mas a Karol saiu do BBB com 99% dos votos!” De longe é fácil. Mas e na frente dela, quantos se oporiam àqueles comportamentos abjetos? Pouquíssimos.

Além disso, percebe-se outro ponto em comum nos três: ativismo político, que reforça ainda mais a ideia de que o inferno sempre são os outros, o outro lado, a outra religião, os héteros, os brancos, os gays, os negros, a esquerda, a direita, os conservadores, as outras “raças”. Então, se o inferno são os outros, eu sou o céu, eu sou o bem, eu sou aquele que está do “lado certo”. E não há problema nenhum em achar que está do lado certo. O problema monumental é: você ficar tão cego sobre si mesmo a ponto de perder sua humanidade ao defender o seu “lado certo”.

Pense nisso.

Ela só quer paz?

É sério que vocês acreditaram nessa música melosa do Projota? Ela só quer paz? Uma mulher só quer paz? Será que o Projota já conviveu com uma mulher sob um mesmo teto? Vou ter que dizer o óbvio ululante: mulher odeia a paz, calmaria, tranquilidade, rotina, sossego. Ela ama o conflito, a guerra, a mudança, a loucura, a novidade. Acho que o Projota se enganou no pronome reto. Era para ser “Ele só quer paz”. Aí a gente até engoliria essa canção.

“Ela é um filme de ação com vários finais / Ela é política aplicada e conversas banais / Se ela tiver muito afim seja perspicaz / Ela nunca vai deixar claro / Então entenda sinais” Aqui é a receita perfeita para iniciar a guerra: ela nunca deixa as coisas claras e ainda obriga, nós, homens burros a entendermos seus sinais. Projota, tá de sacanagem, né?

“Notícias boas pra se ler nos jornais / Amores reais, amizades leais / Ela entende de flores, ama os animais / Coisas simples pra ela, são as coisas principais” Sei… aham… as coisas simples são as principais… Conta outra aí, Projota. Não força a barra, por favor. Acho que você anda se relacionando com homens. O que o homem quer: chegar em casa, sentar no sofá, tomar uma cerveja e ficar contemplando sua televisão. Isso, para começar, já irrita a mulher. Ela não consegue ver o seu homem sem fazer nada. Ela quer sair, quer “ver gente”, quer ir para o fervo.

E quando o assunto é férias! Para o homem: “Amor, o que importa é estarmos juntos.” Para a mulher: “— Ai, amor, vamos pra Cancun? Se não der, tudo bem, a gente pode ir para Porto Seguro, que é mais simples.”

“Ela vai te enlouquecer pra ver do que é capaz / Vai fazer você sentir inveja de outros casais” É, Projota, ela só quer paz mesmo. Presta atenção na letra da sua própria música, pelo amor de Deus. Ela vai me enlouquecer para ver do que sou capaz. Isso costuma não acabar bem, costuma acabar em GUERRA!

“Não quer cinco minutos no seu banco de trás / Só quer um jeans rasgado e uns quarenta reais” Só quer um Jeans rasgado e 40 reais? Faz-me rir, Projota, faz-me rir. Não sei com quais mulheres você anda saindo que custam apenas 40 reais.

Você, leitor, ainda acha que ela só quer paz?

SÓ O AMOR IMPORTA

Esta foi a última vez que vi minha vó, em fevereiro de 2020. Lembro-me de minha mulher falar assim: “— Vai tu e teu pai ali com a sua vó para eu tirar uma foto de vocês. A gente nunca sabe o dia de amanhã. Então vamos registrar esse momento.” Ela se foi no dia de ontem, 07/05/2021. Conversando com o meu pai, ele me disse: “— Eu tô bem, filho. Tudo que eu tinha de fazer pela minha mãe em vida, eu fiz. Ela sempre pôde contar comigo. Ela sabia o quanto eu a amava.”

Isso me encheu o peito de esperança. A minha vozinha dizia que meu pai era o seu anjo da guarda. E ele era mesmo. No fim, é isso o que importa na vida e na morte: o amor. É demonstrar o amor, falar o quanto ama, estar ali e amar na prática. A vida passa rápido, mas há tempo o suficiente para o amor. Só o amor importa. Por isso que toda vez que falo com as pessoas das quais eu amo, eu digo de boca cheia: “— Eu te amo!”

Toda vez que falava com minha vó, ela sempre dizia que rezava por mim. E ela rezava mesmo. Nessas últimas semanas foi a minha vez de rezar por ela. Eu pedi a Deus que fizesse o melhor pra ela, e Ele fez. Ela descansou e cumpriu sua missão em vida. Cuidou do marido, dos filhos, dos netos. Orou por todos com sua fé inabalável. Ela merece o céu. Ela merece descansar na eternidade.

Te amo, vó. Fique com Deus.

As pessoas estão cagando para os seus diplomas

E daí que você tem diplomas e mais diplomas? Se você não oferece um valor real para alguém, um diploma serve apenas para encher o seu ego. E aqui mora um dos maiores vilões para a alma humana: a soberba. O sujeito realmente acredita que um pedaço de papel, onde está escrito seu nome com mais algumas informações e assinaturas, lhe tornam um ser superior, lhe tornam um ser iluminado perante os meros mortais que habitam o mesmo espaço que você. Este é um dos enganos mais perniciosos que podemos cometer.

E por quê? Porque faz com que nos tornemos burros, prepotentes e arrogantes. Burros porque acreditamos que o título de formação é mais importante do que o próprio conhecimento e sabedoria prática. O sujeito passa a ser o “crítico”, o “inteligentinho”, como diz o filósofo Pondé, e não se dá conta do óbvio ululante: as pessoas estão cagando para os seus diplomas e para suas palavras difíceis. Elas querem saber no que de fato você pode ajudá-las no mundo real, no que de fato elas podem contar com você.

E como muitos colocam o diploma e o título de formação à frente de tudo, acabam por perder o contato com a humanidade. Esta cegueira que impede sujeitos de enxergarem o óbvio, é um sintoma desta perda de contato com o mundo real. Jung já falava: conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.

O diploma, no Brasil, tornou-se um fetiche. As pessoas saem da faculdade com aquela pretensão de que suas teorias podem salvar a humanidade, de que suas teorias se aplicam inteiramente na vida prática. O problema é: o mundo é complexo, a vida é complexa, o ser humano é ainda mais complexo. Este panorama é visível na área da psique humana. O psicólogo sai da faculdade e vai atender em consultório. Ele está fechado com sua teoria. Ao receber o primeiro paciente, ele tentar aplicar sua teoria corretíssima àquela psique, e falha miseravelmente.

Vos digo: a universidade como um todo parece se distanciar cada vez mais da vida real. Em vez de seres humanos que resolvem problemas, formam robôs com o mesmo discurso vitimista, viciados em teorias “inteligentes” e cada vez mais longes da humanidade.

“PLAYLIST PARA FAZER AMOR”

Não! Você não vai encontrar aqui músicas para ouvir na hora do coito. Ontem, enquanto eu e minha noiva ouvíamos uma playlist minha no YouTube, eis que começa a tocar John Mayer. Minha mulher sai com a máxima: “— Ouvir John Mayer dá vontade de tirar a roupa.” Apesar de eu ser um heterossexual convicto, fui obrigado a concordar com ela.

O John é bonito, mas não é apenas bonito, o cara é bonito para um cacete. Além disso tem uma voz grave e rouca. Suas músicas falam sobre fazer amor; e, para fechar com chave de ouro, o homem não é só um rosto bonito, o cara tem talento de sobra. Ele e o Rodrigo Hilbert são uma afronta aos meros homens mortais. É difícil aceitar que sou da mesma espécie que estes dois aí.

Mas eis o que eu queria dizer. Ela, de súbito, afirma: “— Era essa a playlist que você botava pra tocar quando trazia as tuas ‘pelegas’ pra cá, né?!” Para a minha noiva, toda mulher que ousei beijar os lábios antes dela, são pelegas. E, obviamente, o termo “pelega”, para ela, significa mulheres que não valem nada. Nós rimos. Você, homem que me lê, está rindo. Eu sei! Para a sua namorada, todas as suas ex peguetes também são “pelegas”, né?

Com isso, lembrei-me de meu primeiro namoro. Eu, um jovem e inocente rapaz — talvez não tão inocente assim —, sentado em frente ao meu computador, criando uma playlist no Windows Media Player, com o título: “Playlist Para Fazer Amor”. Perceba o tamanho de minha ingenuidade, perceba a minha crença ridícula num romantismo que não cabia mais em nosso tempo. E por isso mesmo já lhes adianto: não adiantou bulhufas a tal “Playlist Para Fazer Amor”.

Primeiro: o gosto musical dela divergia do meu. Então, o máximo que eu cheguei perto de fazer amor ouvindo a playlist, foi: “— Tira essa música, pelo amor de Deus!” E segundo: na hora do tesão eu não pensava em mais nada a não ser no ato de procriar. Dane-se as musiquinhas românticas! Eu não iria parar tudo e falar: “— Amor, só um momento, vou ali colocar uma música pra gente.” Ela me colocaria chifre no dia seguinte. Espera… ela colocou, pelo menos não foi no dia seguinte.

Moral da história: o homem nasce bom e romântico, a mulher o corrompe.

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