PEDRA

De vez em quando Deus me tira a poesia.
Olho pedra, vejo pedra mesmo.

De vez em quando Deus me tira a poesia.
Recebo um abraço, mas só vejo braços mesmo.

De vez em quando Deus me tira a poesia.
Dou um beijo, mas só vejo uma boca beijando outra mesmo.

De vez em quando Deus me tira a poesia.
Recebo uma carta de amor, mas só vejo tinta e papel mesmo.

De vez em quando Deus me tira a poesia.
Toda vez que ela sai de casa, me diz o quanto me ama, mas só vejo palavras mesmo.

De vez em quando Deus me tira a poesia.
Me deparo com atos de amor, e eu não sei mais o que é o amor mesmo, pois sou cego para a poesia. Tudo é pedra. Só vejo pedra. Tornei-me uma pedra.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicoterapeuta. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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