“Valeu a Pena.”

Há uma pergunta que me persegue: “Quando será o casamento?” De todos à minha volta: pais, colegas de trabalho, sogros, amigos. Minha mulher, felicíssima, até já comprou o vestido para a cerimônia. Ela sempre quis entrar na igreja de noiva. Faltava-lhe o homem que a esperasse no altar. Agora não falta mais! Eu, um homem que nunca havia acreditado que casaria. E digo isto com pudor da minha pusilanimidade. Casamento, para mim, sempre fora algo grande demais, dispendioso demais, arriscado demais. Aliás, olhei tantas coisas na minha vida como “grandes demais”, e, por isso mesmo, virava-me de costas para elas; e então voltava-me para o caminho conhecido, ordenado e seguro.

Sempre fui um mesquinho de uma figa. Reclamão de primeira categoria. Prudente até o talo. Diante de um problema, esbravejava. Diante de um desafio, sofria antecipadamente. Sim, eu era demasiadamente ansioso, justamente por tentar controlar o que é incontrolável: o mundo, e, por não conseguir tal façanha, entristecia-me, ficava mal-humorado. Eu deparava-me com colegas de trabalho ganhando uma micharia e construindo casa, casando e etc. E eu permanecia lá, na mesma situação medíocre, pensando em tudo e não construindo nada.

O que quero dizer para você, leitor, é que podemos ser tantas coisas, mas não sejamos mesquinhos, pelo menos isso. É preciso colocar o pau na mesa! As maiores coisas que faremos na vida, é preciso simplesmente agir com o coração. Um coração que pulsa, feito de carne. É preciso abrir o peito para a vida, como quem diz: “Estou aqui! Pode vir!”

Mas eu mudei. Foi um processo que levou tempo, leitura, reflexão, humilhação, erros, autoanálise e enfrentamento. Passei a ver a vida com outros olhos, com olhos mais atentos e aguçados. Me corrigi. Melhorei minha postura. Passei a mirar no maior bem possível. Encontrei-me comigo mesmo. Achei meu propósito.

Sim, eu vou casar, terei filhos, irei construir minha casa, abrirei minha empresa, escreverei diversos livros, amarei minha esposa, amarei meus filhos, protegerei os meus entes, ajudarei a comunidade como eu puder e, quem sabe, ao fazer tudo isso, ao chegar no final da vida, eu olhe para trás e diga, com olhos rútilos: “Valeu a pena.”

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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