Romantismo, amor e o Dia dos Namorados

Sou um romântico ridículo, e repito: o ridículo é uma de minhas dimensões mais válidas. Acredito no amor eterno. Acredito no amor que vai além da vida e além da morte. Deus me livre ser um niilista do afeto, daqueles que desacreditam tanto no amor que passam a ver atos românticos como frescuras e hipocrisias. Eu entendo que grande parte do romantismo tornou-se marketing, ou seja, dane-se o outro que está em minha frente, o que me motiva é a foto e o storie no Instagram, pois preciso mostrar como sou amado para o mundo. Isso existe.

Entretanto, isso não tira a verdade do romantismo. E que verdade seria essa? Significado! Coloquem isso na cabeça: o romantismo dá significado para a relação. Eu sempre lembrarei do momento no qual pedi minha mulher em namoro e entreguei-lhe a aliança. Melhor ainda: o momento em que a pedi em casamento. Aquilo foi sublime. Aquilo irá tocar as nossas almas até o fim de nossos dias. Tornou-se um marco monumental em nossa relação. E uma relação sem estes gestos perdem o significado, e tudo que perde o significado termina em niilismo, em desvalores, em vazio.

O amor é uma construção. E em toda construção existem os marcos: assentamento, os pilares, as paredes, os acabamentos e etc. Quero que vocês entendam que os marcos na construção do amor são os atos românticos. Não aceitem uma relação na qual não existe sequer um pedido de namoro, uma aliança, um jantar especial, um presente especial, um momento especial. E mais: os atos românticos quebram a rotina ao meio, e quebrar a rotina ao meio é maravilhoso, pois o desejo tem ojeriza à rotina.

Quantas e quantas vezes eu olhei para o Dia dos Namorados como uma chatice, como quem diz: “Mais uma vez terei de gastar dinheiro com essa baboseira!” Perceba, leitor, o meu niilismo abjeto. Isso mostra o quanto eu era um mesquinho e um egoísta de uma figa. Ninguém merece conviver com alguém assim, pois a base de uma relação é a doação, é servir o outro. Sem isso, não há relação possível. Sem isso, não há terreno fértil para que nasça o amor. E sem amor, não há bodas de ouro, nem de prata, nem de bronze. Sem amor, não há nada! Só a solidão insossa daqueles que preferem morrer lambendo as próprias feridas.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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