Feliz aniversário

Hoje falarei sobre intimidade. E por quê? Porque a pessoa que me premiou com o seu relicário — sua intimidade é o seu relicário, coloquem isso na cabeça — está de aniversário. Por isso que enfatizo de uma forma até meio obsessiva por aqui: não entreguem sua intimidade assim, de bandeja, para qualquer transeunte, ainda mais se for um pulha ou um canalha qualquer. Ao fazer tal ato abjeto, você mancha a sua alma. Há gente que a maculou tanto, mas tanto, que passaram a desacreditar no amor e se tornaram, de fato, uns desalmados, uns niilistas do afeto.

Mas eis o que eu queria dizer. A loira mais bela está de aniversário, mas quem ganhou o presente fui eu. Eu sei, é clichê usar estas frases manjadas, mas e daí? “Eu te amo” também virou clichê. “Eu te amo” se tornou tão banal e vulgar a ponto de o sujeito dizer estas três palavras mágicas por aí como se fosse “bom dia”. Ora, numa relação íntima, o “eu te amo”, mesmo que seja banal, é verdadeiro. O mesmo serve para “o aniversário é seu, mas quem ganhou o presente fui eu”. Me julguem.

O presente que ganhei resume-se em intimidade. Toda relação valorosa e verdadeira, por obrigação, é uma relação onde ambos são demasiadamente íntimos um do outro. Ah, e como nós somos íntimos. A conchinha é perfeita. A conchinha também é uma de minhas obsessões. Morrer sem nunca ter dormido de conchinha com o ser amado deve ser triste. Não é à toa que existem espíritos ressentidos por aí, que morreram sem sentir o gosto daquela conchinha íntima em pleno inverno. O que lhes resta é assombrar os quartos alheios.

Aliás, só existe conchinha íntima. Sem intimidade não há possibilidade de conchinha, nem de carinho e muito menos de amor. Não há presente maior do que deitar-me com ela. Eu a abraço e afago seu rosto enquanto ela dorme; passo minhas mãos pesadas sobre aquela pele macia; nossas pernas se entrelaçam. Aspiro a fragrância pura que sai daqueles poros femininos, e isso é alento para a minha alma masculina. Por um momento, o pensamento de perdê-la passa por minha consciência, então a abraço mais forte. De minha boca sai um sussurro sincero: “Eu te amo! Você não tem noção do quanto eu te amo. Eu poderia morrer por ti a qualquer momento.”

Feliz aniversário.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

4 comentários em “Feliz aniversário

  1. E Feliz Aniversário para ela! E que essa intimidade seja sem abençoada e presenteada com tudo que há de melhor no universo. Viver isso é, antes de mais nada, uma escolha. Portanto, parabéns para você também. Amar é para os corajosos. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: