AQUI NO BRASIL HÁ UM HITLER EM CADA ESQUINA

Aqui no Brasil, há em nosso cotidiano, um Hitler em cada esquina, porém, sem poder, sem exército. O leitor poderá assustar-se com tal afirmação, mas hei de explicá-la ao longo da crônica. Abra o seu Twitter — se não tiver, melhor ainda, você deve ser uma pessoa com mais paz de espírito e bom senso —, quem é o “cancelado” da semana, ou melhor, do dia? Quem precisamos odiar no dia de hoje? Fiquei sabendo, na véspera, que os cancelados do momento era o Leo Lins e sua esposa. A moça, ao gravar um stories no Instagram, onde filmava o Leo encarando o chão e pensando em algo, tomou a infeliz decisão de chamá-lo de “autista”. Pronto! Já bastou para os hitlerzinhos saírem do armário. Os ditadores de plantão passaram a ameaçá-los de morte. Repito: ameaçá-los de morte! E fizeram pior: como se não bastasse ameaçar o Leo e sua esposa, a SS (polícia do Estado nazista) foi ainda mais longe, ameaçaram os pais do casal.

Não há possibilidades de darmos certo. De súbito, pensei: “Quantas e quantas vezes a minha mulher me chama de autista?” Diversas vezes. E por quê? Simplesmente porque, amiúde, me recolho em meu mundo e fico ali, a olhar para o nada, pensando em tudo — Essa foi ruim, hein. Ela está apenas usando uma analogia para definir-me. A gente ainda vai chegar em um ponto, onde o Estado, apoiado pelos hitlerzinhos de plantão, terá o monopólio da linguagem, e, obviamente, será proibido analogias, figuras de linguagem, metáforas, piadas e qualquer palavra que ouse “ofender” alguém ou algum grupo específico. Quem vai pagar para ver? Na crônica da semana passada, tirei sarro dos pronomes neutros e das “vítimas” de gordofobia. Eu, sinceramente, não duvido mais de nada, de nada.

Orwell, em seu clássico 1984, errou por pouco ao tentar vaticinar o que nos tornaríamos. Em 1984, há o Big Brother, o Grande Irmão, o Hitler, o Stalin daquele universo. E o que sobra para a população? Ora, medo e covardia a dar com pau. É assim que Winston — o protagonista — é pego. Alguém próximo a ele o entrega para o Grande Irmão. A traição parece ocorrer por medo, e não como uma forma de inflar o ego do traidor, como ocorre hoje. Há Hitlers em cada esquina, Stalins em cada bairro que se orgulham de sua tirania. Passamos a ser os Big Brother uns dos outros. “Você chamou seu namorado de ‘autista’ por ele encarar o chão enquanto pensa em algo? Morra! Você não está seguindo a cartilha que nos mandaram seguir.”, “Você ousou opinar na vestimenta de sua mulher? Machista. Paredão, agora!”, “Você está fazendo piadas com gordos? Merece o exílio!”, “Você teve a coragem de chamar um ‘não-binário’ de ele em vez de ‘ili’? Prisão, agora!”.

Engana-se quem pensa que os hitlerzinhos estão buscando justiça. Nada me tira da cachola que estes canalhas almejam apenas inflarem seus egos. Se tivessem o exército vermelho ao seu dispor, estaríamos no paredão de fuzilamento, agora mesmo. A antiga União Soviética seria brincadeira de criança perto do que fariam aqui na República das Bananas. E vejam bem, a URSS fora um dos piores episódios que a humanidade já passou. Lá, a liberdade deixou de dar as caras por completo. O clima comunista era regado a tensão, medo, covardia, tirania e maldade. O ego dos comunistas era tamanho que, se você não aplaudisse um discurso de Stalin, você seria condenado por “ato contra-revolucionário”, e sua pena seria: ou fuzilamento ou campos de trabalho forçado. Ora, não é à toa que morreram mais de 20 milhões de pessoas apenas na URSS. “Morreram” ficou ruim, admito. Até parece que viveram uma vida inteira felizes e morreram velhinhos, em suas camas confortáveis. Deixe-me corrigir: 20 milhões foram assassinados das maneiras mais horrendas e vis que você possa imaginar. Assim ficou melhor.

O cômico de tudo isso, é existirem partidos comunistas ainda hoje, e pior, pessoas que os apoiam. Mas estes pormenores, deixemos para outro dia. O que esperar dos hitlerzinhos e stalinzinhos de nosso tempo, não é mesmo?! Não serei hipócrita, talvez há um Hitler e um Stalin em cada um de nós, babando para ser libertado, e é justamente nesta cultura do “cancelamento” que percebemos quem os deixou sair. Cuidado, meu caro, cuidado.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicoterapeuta. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

4 comentários em “AQUI NO BRASIL HÁ UM HITLER EM CADA ESQUINA

  1. Guilherme bom o texto. Eu vejo um comunista em cada esquina e atrás um progressista dando suporte. Cultura do cancelamento tem origem aí. O genocida Hitler que matou mais de 6 milhões de judeus, perdeu feio para os mais de 100 milhões de mortes causadas no século XX por comunistas. “O Livro negro do comunismo”. Qto aos pronomes neutros, não diferentemente, não é coisa de conservadores, mas apesar do idioma ser vivo e mutável, particularmente não aceito. Não há inclusão quando se aumentam as possibilidades de distinção.

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