Se você precisa se amar antes de agir, você está fodido.

Me pergunto: o que vem primeiro, o sentimento de inutilidade e depois a inação perante o mundo ou a inação perante o mundo e então o sentimento de inutilidade? De qualquer forma, este é o ciclo do horror para qualquer alma humana.
 
Ante de se amar, acredito que é preciso construir este amor em si mesmo, caso contrário, não há um porquê em amar-se. “Nunca trabalhei, nunca servi ninguém, nunca me propus a nada, nunca me responsabilizei por nada.” Ora, como me amarei se sou um pulha e um inútil?
 
Toda vez que percebi uma mudança significativa em minha vida para melhor, não foi graças ao “amor próprio”,  muito pelo contrário, foi pela culpa, foi quando tomei consciência de que eu precisava melhorar. Seja na escrita, seja na leitura, seja na minha saúde física, seja no meu caráter, seja nos meus relacionamentos.
 
A partir do momento que você se propõe a fazer algo e vai lá e faz este algo, o ciclo do horror se transforma:
 
Sentimento de inutilidademe proponho a fazer algo (Responsabilidade)faço este algome sinto bem comigo mesmo
 
Este “se sentir bem consigo mesmo” será o amor próprio? Não sei. Mas digo e repito há tempos por aqui: não há nada a não ser a responsabilidade. Ao se responsabilizar pela sua vida, você passa a ser uma pessoa mais confiável, tanto aos olhos dos outros quanto aos seus próprios olhos. Entende? Você passa a sentir-se mais seguro. Você está construindo algo sólido. Eis aí a possibilidade de amar-se verdadeiramente. Seja lá o que “amor próprio” signifique.

Perceba que o “amor próprio” é algo a ser conquistado, é algo que demanda esforço, pois trata-se de uma construção. Ele é o efeito, não a causa. “Ah, Guilherme, e como vou me motivar a fazer algo se eu não me amo?” Quer motivação maior do que se olhar no espelho e sentir-se um merda? Aqui está a importância do “tomar consciência” da vida e saber lidar com sentimentos “negativos”. Sentimentos são afetos investidos de energia psíquica, use esta energia para motivar-se.

Se você precisa se amar antes de agir, você está fodido.

E com isso, não estou dizendo que o tal “sentimento de inutilidade” não vai dar as caras. Ele vai. Vez ou outra entraremos no ciclo do horror, principalmente naquele domingo preguiçoso, onde estamos no sofá, suando após comermos feitos uns condenados no almoço, e então pensamos na existência. É inevitável! Lhe garanto, leitor, no meu puro achismo: o domingo é o dia dos suicidas. Se não nos suicidamos no domingo, planejamos o ato para o futuro. Não importa. O domingo é o dia da melancolia.

A notícia boa: o domingo acaba! Caso o seu domingo não acabe, procure ajuda.

Publicado por Guilherme Angra

Me chamo Guilherme Angra, sou um escritor com dois livros publicados e diversos textos postados na internet. (Crônicas, artigos, contos, poemas). Me formei em Administração, pós-graduei-me em Gerenciamento de Projetos e atualmente estudo Psicanálise. Além disso, crio conteúdo nas plataformas do YouTube, Facebook e Instagram. Meu conteúdo baseia-se em reflexões filosóficas sobre as várias nuances da vida: relacionamento, felicidade, tristezas, angústias, trabalho, finanças, intelecto e etc. Espero poder ajudá-lo de alguma forma.

5 comentários em “Se você precisa se amar antes de agir, você está fodido.

  1. Seu ponto de vista procede, embora o “amor próprio” possa ter uma infinidade de teorias, conceitos, definições, conforme concepção de muitas outras pessoas. A minha concepção de “amor próprio” (mais especificamente a falta dele) é quando a gente não se gosta e se deixa tornar um “Zé Ninguém”, aquele que aos olhos do mundo não existe, não faz diferença. Ou aquele que prefere fazer-se vítima das mazelas do mundo em vez de dar a volta por cima, em vez de perdoar a si e aos outros, erguer a cabeça e seguir em frente. Verdade, “amor próprio” é antes uma atitude de Consciência sobre seu imensurável Valor como ser humano e criatura de Deus, logo, agir como tal. Interessante reflexão. Aplausos!

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  2. Gostei de ler o seu texto porque me mostrou uma perspectiva diferente. Eu quero ser melhor, porque acho que mereço isso, que devo isso a mim própria, mas na realidade este seu argumento de agir e depois se amar é mesmo muito válido! Será que não é mesmo esse o caminho?!

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  3. Como disse uma paciente minha com toda propriedade: estou triste, me sinto uma merda, mas estou em pé e seguindo. Quem sabe um dia seguirei com um pouco de carinho por mim também.

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