NADA TORNA O HOMEM TÃO MADURO QUANTO A CONVIVÊNCIA COM UMA MULHER

Nada torna o homem tão maduro quanto a convivência com uma mulher. Para explicar esta objeção, deixe-me olhar para o passado. Simbolicamente, o feminino é retratado como o caos em mitos de criações antigos. As deusas, ao mesmo tempo que possuíam a capacidade de dar a dádiva da vida, também poderiam destruí-la quando e como quisessem. Já ouviu falar na Mãe Natureza? Então, por que a chamamos assim? A natureza pode ser de uma beleza exuberante assim como pode ser de uma crueldade avassaladora. Eis a mulher, eis o ser mais complexo criado por Deus.

Já imaginou conviver com um ser destes? Se Deus não tivesse feito a Eva, Adão estaria até hoje no paraíso com os olhos fechados e vivendo em uma pureza infantil. Eva tornou Adão autoconsciente ao lhe oferecer o fruto proibido. Adão tornou-se um homem  adulto e conhecedor do bem e do mal graças a Eva. Mas não preciso usar apenas a linguagem religiosa para provar este axioma. A seletividade sexual feminina é uma das razões que nos tirou da barbárie e nos trouxe à civilização. Se a fêmea humana não fosse seletiva, estaríamos até hoje caçando mamutes, vivendo como nômades e falando “uga-uga”. E por quê? O homem, para conquistar a mulher, buscou ser mais viril, dominador, competitivo, agressivo e atento. O resultado desta seletividade sexual feminina foi um cérebro maior e uma inteligência mais sofisticada para a espécie, pois só os melhores machos conseguiam passar seus genes adiante.

Lembra-se de sua época de escola, quando você, jovem espinhento era apaixonado por algumas de suas colegas, mas elas gostavam apenas dos garotos mais velhos e dos mais populares da escola? Você, homem espinhento, ainda era uma criança entrando na puberdade, enquanto sua colega era uma adolescente e estava anos à sua frente. Você estava imerso no caos feminino. Você talvez perdesse algumas horas do dia refletindo sofridamente do porquê sua coleguinha sequer lhe cumprimentava, enquanto você chegava a babar como um bobão na frente dela. Mas é óbvio que sua colega não lhe daria moral: você era infantil, inseguro, inexperiente, feio, burro e de um sentimentalismo que causaria inveja na mais doce mulher. Qual garota aguentaria isso? Nenhuma! E ainda bem, caso contrário, estaríamos falando “uga-uga” um para o outro. (Gostei do uga-uga)

Mas o homem-criança esforça-se para conquistar a mulher. Deixa de ser tão infantil, aprende a ser seguro em certas situações, estuda para se tornar mais inteligente, cuida do corpo para ficar mais apresentável e consequentemente mais bonito, arruma empregos para ganhar dinheiro e molda uma personalidade atraente e única. Este foi o efeito de morder o fruto proibido: tornar-se autoconsciente como o Adão. Eis que as mulheres se atraem por este homem, agora, já quase adulto e quase autoconsciente.

E por que eu usei o “quase”? Pois ainda falta o principal para se tornar um homem de fato: conviver com uma mulher. E não estou falando em um namoro onde cada um mora em casas separadas; me atenho ao fato de ambos morarem sob um mesmo teto, dividindo suas vidas, seus problemas, suas felicidades, suas imundícies e suas conquistas. Ah, e esta convivência nunca é fácil, mas é uma das únicas possibilidades de se tornar “gente”, de sair da ilha narcísica que nos acomete, de enxergar o outro com seus defeitos e ainda assim amá-lo, ainda assim servi-lo. Para que diabos você serve se está aqui apenas para amar a si mesmo?

Ao longo da vida conheci muitas pessoas das quais preferia não ter conhecido. Adultos depois dos trinta e quarenta anos que mais pareciam crianças birrentas. Tanto homens quanto mulheres. Faltava-lhes paciência para resolver problemas simples, eram egoístas ao extremo, entravam em desespero por mesquinharias e eram ressentidos com a humanidade. Nunca é bom conviver com alguém que possui tais características. Percebe-se que faltou-lhes algo no desenvolvimento de suas personalidades. Analisando-os, nota-se que a grande parte deles nunca conviveram com alguém sob o mesmo teto, ou, quando conviveram, não foram capazes de suportar uma vida a dois e então desistiram de tudo. Por este fato nunca tiveram maridos/esposas ou filhos. Cada vez mais percebo que passar dos quarenta anos sem ninguém para amar e ser amado costuma não ser uma boa ideia. Obviamente existem os casados que vivem relacionamentos horríveis e sem amor, mas não é a regra.

Contudo, em um mundo líquido — que nem o amor escapou —, quem está disposto a “perder a liberdade” e se doar para o outro durante uma vida inteira? Poucos. Isso acontece pois quando somos jovens temos todo o tempo do mundo, temos todas as certezas do mundo em nosso umbigo. Olhamos para o horizonte e nos sentimos imortais. A velhice sequer dá sinais. Rodeado por amigos, festas e todo o tipo de prazeres baratos, temos a impressão que é possível viver esta vida pra sempre, que é possível viver sozinho, pois há amigos à sua volta quando a solidão acometer-lhe o espírito. Então chegamos aos trinta e percebemos que a vida é um sopro. Com toda esta reflexão, concluo que ninguém deveria envelhecer sozinho. As pessoas têm dificuldade de enxergar a longo prazo, as pessoas tendem a fechar os olhos diante do horizonte, mas o horizonte chega, e chega com força, chega como uma tempestade devastadora levando tudo em seu caminho. É sempre bom ter alguém para segurar-lhe a mão quando esta tempestade chegar. Então deixe-me corrigir o título: nada torna o ser humano tão maduro quanto a convivência com outro ser humano sob um mesmo teto.

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