A TEORIA DOS PILARES: PARA UMA VIDA COM SUBSTÂNCIA – POR GUILHERME ANGRA

Nos últimos anos percebi o quanto a minha vida melhorou. Principalmente nestes últimos 24 meses. E você, leitor, poderá indagar: “Melhorou em qual sentido?” Em todos! No sentido de afeto, no sentido financeiro, no sentido do intelecto, no sentido de saúde física e mental. Eu parei para pensar por um momento do porquê isso aconteceu, e a resposta estava batendo na minha cara, implorando para ser desvendada. Ora, primeiramente a minha vida melhorou pois aceitei que ela é sofrimento. E aceitei há tempos. Quando percebi que eu perderia as pessoas que amo, que há dor no mundo, que eu vou morrer, que minha razão não dá conta de solucionar de onde eu venho e nem para onde vou, que a tristeza me encontra em cada esquina, eis aqui o sofrimento, eis aqui a angústia adentrando em meu peito. E segundo, não basta aceitar o sofrimento da vida, é preciso fazer alguma coisa referente a isso, ou, como dizia a minha mãe: “É preciso virar gente!” O “virar gente” nada mais é do que assumir as responsabilidades de uma vida adulta com todo este caos batendo em sua porta.

Acordei e percebi que a vida é sofrimento. Ok, e agora, o que eu faço com isso? Tenho a opção do ressentimento, ou seja, eu posso culpar tudo e todos pela existência, assim como Caim o fez na primeira história humana da bíblia. E por que digo que é a primeira história humana? Bem, Adão e Eva foram concebidos por Deus, mas Caim e Abel foram concebidos por um ato humano entre um homem e uma mulher. Como vocês sabem, Caim escolheu o caminho da inveja, do rancor e do ressentimento; ele resolveu culpar seu irmão, Abel, pois Abel era um ideal a ser seguido; logo adiante culpou a humanidade e terminou culpando Deus por seu fracasso e sofrimento. Isso o levou tão fundo em suas sombras que já era impossível sair daquela escuridão. Com a alma repleta de maldade, o único meio que encontrou para satisfazer seu ressentimento foi assassinando seu irmão como uma forma de vingança, como uma forma de protestar contra sua existência fracassada, e assim, mostrar para Deus que seu ideal não era de nada, era um fraco perante o mal. Perceba que Abel conseguiu agradar a Deus, mas não conseguiu vencer o mal humano.

Mas eu tenho a outra opção: construir uma vida com substância, construir uma vida com significado. Para isso precisamos limitar o mundo, pois ele é complexo e, muitas vezes, terrível. Limitar o mundo nada mais é do que assumir as responsabilidades da sua vida e da sua circunstância. Digo-lhe, leitor, com minha maior sinceridade, que não há mais nada a se fazer a não ser carregar algum peso. Não há outra opção, aliás, há, mas não é um caminho que eu indicaria, nem para o meu pior inimigo – Abel que o diga —. O carregar peso significa fazer algo, significa ser útil para alguma coisa nesta existência terrível. Quando carregamos peso limitamos o mundo, e isso é maravilhoso. Do contrário eu enlouqueço diante da complexidade existencial.

Sei que neste momento há pessoas tão tristes e ressentidas que sequer ousam levantar de suas camas. Se sentem inúteis, indispostas e desacreditadas da vida. Este é o tal caminho perigoso; é o caminho em direção ao niilismo e ao hedonismo. Um caminho sem significado e tomado pela angústia, onde a única motivação resume-se em ressentimento pela existência. Para tentar acabar com a angústia e com essa dor de existir, o indivíduo sacrifica o futuro pelos prazeres fáceis do presente. Eis o mapa para um abismo malévolo. O indivíduo perde o valor, as coisas passam a não ter mais significado, nada faz sentido, não há propósito algum, não há crença em algo maior, não há nada, e quando não há nada, você está diante do vazio.

Dostoiévski dizia que há no homem um vazio do tamanho de Deus, ou seja, infinito. Até o mais crédulo cristão encontra-se, vez ou outra, com o seu vazio. Ele está aqui, faz parte do meu ser e faz parte do seu ser. A questão que me invade é: como vencê-lo? Os antigos diziam que quando a cabeça está vazia, o diabo faz morada com maior facilidade. Uma das formas de defesa que encontramos para ajudar nesta batalha infinita entre o bem e o mal que nos habita, foi descobrir as benesses da responsabilidade. Sim, a responsabilidade é uma de nossas aliadas. Os homens clamam por responsabilidade, por carregar peso, por sentirem-se úteis para eles mesmos e para os outros.

Eis que surge a Teoria dos Pilares, uma ferramenta que criei para limitar e organizar a minha circunstância. Um pilar serve como sustentação de alguma estrutura. A estrutura que se sobrepõe aos pilares desta teoria é a vida com substância.

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Mas o que sustenta uma vida com substância? Quais pilares eu poderia construir para sustentar esta estrutura? Foram estas perguntas que me fiz quando percebi que minha vida começara a melhorar. Foram destes pensamentos que surgiram os cinco pilares fundamentais que sustentam a minha vida, que fizeram-me mirar alto e tentar viver uma vida com significado. Enfatizo que isso é uma introdução, pois ainda estou estudando e analisando esta ideia, e, antes de continuar, reforço que estes pilares fazem sentido na minha vida, e, o que estou fazendo aqui é apresentá-lo a você. Espero poder ajudá-lo.

O primeiro pilar é o Pilar do Intelecto, ou seja, o pilar que preenche o seu ser. Neste pilar encontram-se os seus mentores, autores, livros, seu conhecimento, seus estudos, a arte que você faz e consome, sua moral, sua busca pela verdade e sua busca pela transcendência. Parei para pensar na minha circunstância: nunca li tanto como nos últimos anos; estudo autores e pessoas das quais tenho apreço; passei a escrever com mais intensidade; adquiri conhecimentos fundamentais; aprimorei minha verdade e minha moral, e, além disso, busquei uma transcendência, busquei a Deus.

O segundo pilar é o Pilar Financeiro, aqui é onde se organizam as finanças individuais, analisando o passado e projetando o futuro, assim, buscando adquirir sanidade mental e independência financeira por meio de investimentos e empreendedorismo. Particularmente, faço a análise de minhas finanças pessoais desde 2012, e fui aprimorando-a com o tempo. Antigamente, analisava apenas o passado, e isso já é um começo, pois passamos a ter conhecimento dos nossos gastos e receitas, mas é preciso usar estas informações para projetar o futuro, e foi isso que passei a fazer desde o ano passado. Além disso, minhas dívidas estão em dia e comecei a investir boa parte da minha receita.

O terceiro pilar é o Pilar do Corpo, que tem como objetivo manter sua saúde corporal por meio de uma boa alimentação, exercícios físicos, prática de esportes e cuidados com a saúde física em geral. Estou desde 2018 fazendo musculação constantemente. Antes disso eu também frequentava a academia, mas não mantinha a constância, logo, eu malhava uns três meses e então ficava um ano sem aparecer na academia. A constância é um dos fatores mais importantes e mais difíceis de se conseguir na vida. Há de se ter muita disciplina e autoconhecimento para alcançar tal feito.

Minha alimentação também melhorou, pelo menos durante a semana, pois não sou daqueles fanáticos por saúde e nunca serei. Enfim, com isso percebi uma melhora significativa na minha produtividade e em minha autoestima, pois eu estava cuidando do meu corpo, eu estava adquirindo autoconhecimento, e por quê? Simplesmente porque a musculação é um embate entre corpo e mente; seu corpo implora para parar, sua mente luta para continuar. O resultado deste embate é o autoconhecimento.

O quarto pilar é o Pilar do Afeto, que busca refletir sobre os seus relacionamentos amorosos, relacionamentos familiares, suas amizades, seus vínculos sociais. Resumindo: é o seu meio social. Notei que minha vida amorosa melhorou consideravelmente no último ano. Descobri que é possível morar com uma mulher e ser feliz de vez em quando. Descobri que estou em um relacionamento amoroso maduro, e isto é alento de vida. Além do mais, fiz novas amizades, preservei as amizades antigas e me relaciono abertamente com minha família.

O quinto e último pilar é o Pilar da Ignorância, o pilar da premiação. E por quê? Se você concluiu todos os seus afazeres e as metas diárias dos outros pilares, você pode se dar ao luxo de se premiar. Eu, por exemplo, após concluir minhas tarefas diárias, me dou o prazer de jogar uma hora de vídeo game antes de dormir, ou, quem sabe, beber uma cerveja, ou ainda comer aquele chocolate. A premiação vai depender de pessoa para pessoa. Mas perceba que normalmente é algo ignorante, é algo que se você fosse pensar racionalmente, você não o faria. O grande mal da contemporaneidade é que as pessoas querem viver uma vida apenas de prêmios, mas sem esforço algum, sem assumir nenhuma responsabilidade da vida adulta. Elas focam apenas neste pilar, e, obviamente, um pilar não irá sustentar uma vida com substância.

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Após apresentar a estrutura (vida com significado) e os cinco pilares que a sustenta, é preciso refletir sobre a forma de construir pilares sólidos. Como disse anteriormente, o que nos resta é carregar peso. Que tal carregar peso com metas? Eis o primeiro passo: as metas. Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve. E este caminho é tomado pela angústia, justamente por não haver um norte, então o que lhe resta é o vazio. As metas são o nosso norte. Talvez você não tenha um propósito de vida, mas, pelo amor de Deus, no mínimo tenha metas. Isso já é alguma coisa.

Comece com pequenas metas diárias, coisas simples. Organize o seu dia, seja responsável por suas metas e as cumpra. Se você as cumprir, elevará seu Ser e descobrirá as benesses da disciplina. Aquele sentimento de inutilidade vai embora por alguns momentos, pois você se propôs a fazer algo, e, melhor ainda: fez este algo. Você passa a se sentir bem consigo mesmo, mais confiante, mais seguro. No outro dia faça a mesma coisa. Vez ou outra você vai falhar, mas não desista, pois o que vale na vida é a constância. Você continua, um dia após o outro. Suas metas passam a ficar mais elevadas, pois você melhorou, você progrediu. Agora você se conhece mais do que antes, inclusive, você conhece mais os seus problemas do que antes. Você os enfrente de olhos bem abertos e entende de uma vez por todas que a condição da existência é o sofrimento, mas agora você sabe que nem tudo está perdido, pois já aceitou este axioma e resolveu enfrentá-lo de frente, de costas eretas e ombros para trás, você assumiu suas responsabilidades e sabe que esta é a única forma de se viver uma vida com substância, ou seja, tornando-se um herói de sua circunstância.

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Isto foi uma introdução da Teoria dos Pilares, doravante vou me debruçar para aperfeiçoá-la.

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