ESTAR DOENTE

Escrevo este texto sentindo-me doente e inútil. Descobri que estou com Dengue. Febre, dor atrás dos olhos e cabeça, sensibilidade no corpo, diarreia e mal-estar. Como fazia tempo que não era acometido por alguma enfermidade, eu estava me sentindo quase imortal nestes últimos anos. Gripe? Nunca peguei, somente uns resfriados que, o pior dos sintomas, era a coriza. Internamento em hospital? Nem sei o que é isso. As únicas vezes que fui para o hospital foram pelo fato de uma alergia que tenho, a qual até hoje não descobri a causa. Chegava lá, tomava injeção e mandavam-me embora.

Sofri quando pequeno com sarna. Aliás, não sei se era realmente sarna, mas lembro de feridas que coçavam por todo o meu corpo. Talvez fosse algum tipo de micose, sei lá. Algo que marcou-me, foi minha mãe passando-me um remédio no corpo de cor amarelada e de um cheiro forte e rançoso. Aquilo era como jogar sal em uma ferida aberta. Eu chorava em desespero. Ok, sabe-se lá se doía tanto assim, poderia ser mais um desespero irracional de uma criança. Só sei que curei-me daquelas porcarias e nunca mais tive o desprazer de tê-las se proliferando em mim.

Ah, tem mais. Na minha infância eu tinha muita diarreia. Todo ano eu pegava uma infecção intestinal. Lembro-me de uma vez, onde tive diarreia em plena páscoa. Imaginem minha decepção: todas as pessoas, e inclusive as crianças, os meus amigos, tinham aval para se matar comendo chocolate, enquanto eu estava em casa defecando até as tripas sem poder colocar um grama de doce na boca. Nesta páscoa eu caguei tanto, que sequer conseguia caminhar. Estava tão fraco e debilitado, que a única coisa que minha mãe me dava para comer era bolachinha de água e sal e guaraná Antártica. Ao sentar no vaso de quinze em quinze minutos, durante três dias inteiros, chega um momento que você perde as pregas. Até hoje tenho traumas desta época. Graças a Deus, durante estes últimos anos, posso contar nos dedos quando fui acometido por alguma infecção intestinal.

Além do mais, acredito que meu organismo se fortaleceu desde aquela época. Houve um dia, que cheguei em casa entorpecido. Eu vinha de uma festa quase morto de fome. Não acendi as luzes e preferi comer na penumbra da cozinha. Abri a geladeira, peguei pão, maionese, presunto e queijo e comi como se não houvesse amanhã. Após encher a pança, fui dormir feliz. Ao acordar no outro dia, perto da uma da tarde, fui preparar meu café. Tirei novamente o pão, presunto, queijo e maionese da geladeira, e, para a minha surpresa, o presunto estava na cor verde de tão estragado. O cheiro estava característico de algo podre. Por incrível que pareça, o presunto verde não deu-me diarreia e nem vômito. É ou não é para aplaudir de pé o meu sistema imunológico?

Minha mãe conta que quando eu era pequeno, lá pelos meus cinco ou seis anos, eu tinha muita dor de ouvido. Tenho alguns flashes desta enfermidade. Lembro de chorar com a dor insuportável em um dos ouvidos ao tentar dormir, então minha mãe pegava um pano quente ou algodão, e o inseria na cavidade auricular. Não lembro se era bem isto. Sei que era sofrido, ah como era. Minha mãe ficava fazendo carinho em minha cabeça enquanto eu tentava dormir.

Certa feita, eu já com meus dezoito anos, quase um homem formado, já trabalhava e havia recém terminado o ensino médio, apareci em casa com algumas manchas na pele com bordas vermelhas em formato de medalhão. Elas acometeram minhas duas clavículas e o centro do meu peito. As maçãs do meu rosto também ficaram avermelhadas e descascavam todos os dias. Então chamei minha mãe no meu quarto. Eu estava apavorado. Acabara de fazer umas pesquisas no Google e concluí que eu estava com lepra. Nunca esqueço quando olhei desesperado para minha mãe e disse:

— Mãe, eu tô com lepra!
— Pare de bobagem, filho. Tá louco?!
— Olha aqui, mãe… — Mostrei pra ela as manchas.
— Ah, Guilherme, deve ser algum tipo de fungo.
— E se for lepra?
— Se for lepra a gente vai tratar. Mas não é, relaxa.
— Olha aqui no Google, mãe. É igual e não tem cura!
— Que igual o quê! Para de ficar pirando. Pra ter certeza a gente vai no médico.

Minha mãe me acalmou. Anos depois fui descobrir que tenho dermatite seborreica. Pelo menos não era lepra.

Agora estou aqui, neste mal-estar a escrever este texto. O lado bom de estar doente, é perceber o quão maravilhoso é estar saudável. Não consigo ir na academia, não tenho motivação para gravar vídeos, e, por um milagre, consegui escrever-lhes estas confissões sobre minhas enfermidades. Talvez este seja o meu último texto em vida (tem como escrever algo em morte?), escrito no carnaval de 2020, onde a maior parte da população está vibrando, beijando e trepando, e eu estou aqui: doente, fodido e escrevendo. Bom carnaval pra vocês.

8 comentários em “ESTAR DOENTE

  1. Em relação a excesso de enfermidades te compreendo bem,pois desde pequena também sofri grandes pavores. Ultimamente lutri contra fígado gordo,perdi 47 quilos e eliminei excessos de gordura também nos ckeckups.

    Recomendo que busque medicins natural além dos tratamentos convencionais. Tive Chicungunha a 8 meses e sd vezes sinto sequelas e olha,,,ELA É PIOR que ter dengue,amigo.

    Pesquise sobre Low carb,Dieta cetogenica e Jejum intermitente também. Vai sentir uma RENOVAÇÃO incrível em sua saúde! Fiz e recomendo! No mais ;grata por me seguir…Retribuo também com carinho,OK. Saúde ,sucesso e PAZ!

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  2. Oiiii
    Só pensei em lhe responder a última pergunta. Tem jeito de escrever depois de morto sim. Chico Xavier escreveu 429 livros de gente neste estado.
    Sobre a dengue… Ela passa, igual a tudo o que vc passou de ruim e de bom. Melhoras! E quando melhorar, veja como a vida é maravilhosa. 😉 Taty

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  3. Melhoras e obrigada por me seguir! Coma muito inhame, ouvi dizer que ajuda, pelo menos ajudou no caso de parentes com dengue.
    Vou ler seus escritos tbém! Adorei a explicação de pq vc escreve, somos almas gêmeas! 😘 Sandra

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