A TECNOLOGIA DEVERIA TER PARADO NA PLAYBOY

Eu preciso compartilhar uma lembrança que acometeu-me na véspera: a dificuldade de se conseguir ver mulheres nuas entre os anos 90 e o início dos anos 2000. Nesta época eu tinha entre 8 e 12 anos. Um dos meus primeiros contatos com uma mulher nua foi na escola. Calma! Não é nada do que vocês estão pensando. O contato foi visual, sendo que a mulher era de um gibi, e não da vida real. Uma pena, mas continuemos.

Lembro que eu estava na lanchonete e então passei a ouvir uma algazarra no ambiente ao lado. Não deu outra: eram meus colegas reunidos em uma rodinha. Ninguém desconfiaria que houvesse algo suspeito em um bando de moleques vidrados em um ponto fixo no meio da roda. Eram risadas, gritos atônitos, caras de espanto. E sempre tinha um para repetir o que havia escrito no gibi em voz alta. E digamos que a linguagem do gibi não era lá destas formalidades que estamos acostumados. Era uma linguagem que se usa em uma fornicação selvagem, se é que me entendem?!

E eu, um pobre garoto indefeso, fui pescado para a roda. Quando vi aquele gibi com uma loira estonteantemente bela, com os seios de fora, uma cintura fina e com uma face destas mulheres que destrói casamentos, fiquei atônito no mesmo instante. Obviamente esta algazarra não acabaria bem. E quem sempre se ferra em situações como esta? Ora, o dono do gibi, o responsável por fazer dez garotos ficarem em uma roda aos gritos.

A vice-diretora passou pela roda e, como quase toda a escola, ela achou estranha aquela cena e resolveu verificar do que se tratava a algazarra. Até hoje eu acredito que alguma das nossas colegas deve ter ficado com inveja da nossa excitação exacerbada e foi chorar na diretoria. A vice-diretora chegou e perguntou em tom prepotente: “O que está acontecendo aqui?” A roda dispersou em segundos e o dono do gibi ficou. O gibi foi parar nas mãos erradas (ou certas).

Meu primo foi logo se justificando: “Então, professora, eu deixei minha mochila aberta em casa escorada no armário do meu irmão. Essa revistinha estava em cima do armário dele e eu acho que caiu dentro da minha mochila. Foi isso.” Até hoje não entendo como a vice-diretora não acreditou nesta história tão lúcida e verossímil. Pelo menos admitamos: quanta criatividade há na cabeça de uma criança!

Este é só um panorama do que era o mundo masculino sem internet e toda tecnologia que temos hoje. Depois disso, fomos nos atualizando. Passamos a trocar Playboys e outras revistas adultas entre os amigos. Meu pai foi um grande incentivador nesta época, pois tinha várias revistas, e não eram só Playboys. Obrigado, pai. Sempre me lembrarei deste ato nobre. Os filmes pornográficos vieram bem depois, antes disso, a nossa única possibilidade de ver um peito que não fosse em fotografia, era o de nossa mãe ou em um famoso programa da madrugada: o Cine Band Privê, vulgo Cine Teta. Sim, fazíamos o esforço de ficarmos acordados até as três da madrugada para ver apenas seios. Não tínhamos muitas opções, fazer o quê?!

Até nos tempos de filmes pornôs, do famoso VHS e do DVD, ainda havia esperança. Depois da internet, da banda larga, da fibra óptica, lascou-se. O jovem senta na mesa do computador, pior ainda, abre o celular e tem disponível qualquer bizarrice ao alcance de seu polegar. Esta infinidade de escolhas destrói o cérebro de qualquer um. O pobre garoto na puberdade não necessita mais esforço e nem limites para satisfazer suas vontades. Acho que a tecnologia deveria ter parado na Playboy.

Obs: Feiticeira e Tiazinha, a turma dos anos 90 será eternamente grata a vocês.

5 comentários em “A TECNOLOGIA DEVERIA TER PARADO NA PLAYBOY

  1. Acho que vc deu azar por alguns anos…pegou a censura pós Calígula… Não assistiu Porks, Lagoa Azul sem (sem cortes), entre outros que passavam na sessão da tarde… E esse gibizinho deve ser Zefero… Top demais…

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  2. Não mesmo, cara. Você mesmo descreve que era uma dificuldade uma pessoa achar esse tipo de material. Agora que tá fácil, pela lógica, era pra ser melhor. Além disso, pelo que eu pude observar, essas revistas eram muito limitadas e o aspecto artístico era meio falso. Com a Internet, você pode ver o sexo que não é ensaiado, que é o sexo em seu estado mais puro, sem maquiagem, poses combinadas ou coisas que tais. É o sexo que muita gente faz ou vai fazer. O sexo realista. Acho isso positivo. Mas o seu relato me fez ver que há mesmo um lado negativo. A escassez de material da época fazia com que muitos se reunissem pra consumir o mesmo material. Isso fortalecia amizades. Realmente, hoje, o consumo de pornografia se tornou mais individualizado… Não há mais essa troca de experiências. Antes, se tava todo o mundo consumia as mesmas revistas, todo o mundo sabia que você gostava de pornô. Hoje, se cada um consome sozinho, um assunto que já era problemático torna-se tabu. Ninguém admite que vê.

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