PLAYBOYS DE SAVEIRO: PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO

Sabe quando você está em alguma lanchonete aproveitando a calmaria de um domingo preguiçoso, tomando uma cerveja, conversando com sua namorada sobre a vida; ao seu lado, famílias reunidas conversam a esmo, crianças brincam no parquinho, você sente aquela paz de espírito, mas então, ao longe, é possível ouvir uma música — que até aquele momento ainda é irreconhecível —, mas, que aos poucos, vai aumentando à medida que a origem deste som se aproxima. A música, antes inaudível, agora é possível distingui-la: “Tu vai fudê no céu, piranha, dentro do helicóptero. O Guga é o piloto e o Pierre é copiloto, tu vai dá pra um, tu vai dá pra outro. Aproveita, aproveita, aproveita, é o melhor momento da sua vida, ou dá a sua xereca, ou eu te jogo aqui de cima.” Eu olho para o pai da mesa ao lado, que oscila a cabeça em desaprovação. Ouço um cochicho de uma mãe: “ninguém merece, hein”. É possível sentir um clima constrangedor nas famílias ao redor.

Para nossa surpresa, ou talvez, nem tanta surpresa assim, surge ele, o responsável por estragar o momento: o Playboy de Saveiro. Sim, este homem, ou melhor dizer, moleque, que além de ser um completo inconveniente, ainda acha que está agradando. Lá está ele: com vidro aberto, braço para fora, cara de mal-encarado, bonezinho de marca, saveiro rebaixada e escutando uma música tão alta e horrível que faz até surdo voltar a ouvir. São nestes momentos que sonho em portar uma bazuca. Imaginem a cena: o playboy de saveiro em toda sua plenitude de macho alfa passa com aquela porcaria de música estragando o momento de todos ao seu redor, e então, ao olhar para o lado, ele me enxerga com uma bazuca. Sua face transforma-se em medo e covardia em questão de segundos, e antes de poder falar qualquer asneira, é detonado, explodido, estraçalhado. Enquanto o carro é lançado pelos ares com a força da explosão, eu viro de costas (no estilo Power Rangers), o tempo fica em slow motion e eu abro aquele sorriso cínico de super-herói. Os transeuntes batem palmas, pois esta é a vontade de grande parte das pessoas normais, sejamos sinceros.

Mas podemos analisar o porquê da existência dos playboys de saveiro. Eles não surgiram do nada. Não consigo conceber a ideia de uma mãe, ao olhar seu filho ainda quando criança, sorrir e vaticinar com entusiasmo: “Este menino vai crescer e terá uma saveiro rebaixada com um som tão potente que vai deixar qualquer um maluco, ah, que orgulho.” Não! É mais provável ela entrar em um grupo anônimo de “mães envergonhadas por filhos de saveiro”: “Seu filho também tem saveiro rebaixada com som na carroceria? Triste né, Neiva!” Mas qual o momento do caminho que este jovem se perdeu? Eles fazem isso categoricamente para atrair as fêmeas. É quase como se fosse a dança do acasalamento desta nova geração. Eles passam com aquela música altíssima para chamar a atenção das fêmeas e demonstrar poder. Viu só, é simples. E eles só existem porque há moças por aí que cedem para este tipo de “homem”. No momento que “ser um playboy de saveiro” não render mais champolas douradas, eles entrarão em extinção para o alívio geral da nação.

As mulheres ainda não se deram conta do poder que exercem sobre os homens. Se a partir de hoje as mulheres gostarem de machos com apenas um braço, instantaneamente os homens arrancarão estes membros “inúteis”. E por quê? Porque somos idiotas e pensamos grande parte do tempo com a cabeça de baixo. Então, mulheres, vocês podem ser a causa da salvação quanto do apocalipse. Imaginem um apocalipse de playboys de saveiro?! Ninguém suportaria. Um apocalipse zumbi seria menos pior. Peço encarecidamente a vocês, mulheres: não incentivem este comportamento masculino abominável. Lembrem-se: com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.

Alguém poderá contestar: “Isto é preconceito contra homens de saveiro que escutam funk!” Eu responderei: “Sim, meu preconceito é contra tudo que não presta.”

7 comentários em “PLAYBOYS DE SAVEIRO: PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO

  1. Adorei! Ri muito do clube de mães especialmente! hahah você tem talento para stand up comedy hahahah Nossa, eu sinto exatamente a mesma coisa. Quando o som vai se aproximando o corpo vai se fechando, sobe uma raiva hahahaha Ainda bem que não consigo gostar desse tipo de homem. Mas o fato é que as mulheres realmente precisam se rebelar contra coisas tão pequenas e indesejáveis. Eu insisto: o óbvio precisa ser dito, lembrado, relembrado. E olha, nesse formato que você trouxe eu achei muito bacana. Agrada a gregos e troianos. Fatos do dia a dia misturados com reflexão: sucesso certo e o melhor, um tiro no coração e na mente. Massa!

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  2. “… mulheres: não incentivem este comportamento masculino abominável”. Puxa vida, mulheres. Estamos sendo severamente responsabilizadas aqui. Se eu o vir, ou se virem o Gui da Bazuca, desejo que isso nos inspire profundamente. Façamos uma música boa. Vamos cantar com os braços erguidos, os punhos fechados, atitude de guerra. Rebolem muito e cantem em coro: homens do mundo todo: não incentivem este nosso comportamento feminino abominável. ;D Abraço, carinho, Auri

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  3. Poxa, era um pedido simples. A TUA grandeza é que te impediu de atender. Lamento muito. Eu havia lido apenas um texto, este, acima, comentei de pronto. Achei que era possível brincar. Mas não. As leituras seguintes causaram desgaste, angústia, chateação. Então rápido te fiz um pedido, perfeitamente possível de atender. Por favor, por favor, seria possível tirar meu “olhinho” daqui para sempre? Eu não tenho como excluir.
    É mesmo necessário agir como o playboy e continuar tocando esta música horrível?
    Obrigada. E desculpe o trabalho, o transtorno, a grosseria no modo.

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