A sorte de se deparar com a felicidade está diretamente relacionada com a forma que olhamos para o mundo.

A sorte de se deparar com a felicidade está diretamente relacionada com a forma que olhamos para o mundo. Claro que sair por aí feito um louco varrido atrás de júbilos é outro equívoco, pois a felicidade, assim como a tristeza, vai nos encontrar; e a tristeza tende a ser mais escandalosa, e em maior quantidade. Aceitar esta condição que a vida nos impõe é fundamental para seguirmos em frente. No instante que aceitamos a realidade, nos sentimos mais leves para encarar um desafio chamado “Vida”, ou se preferir, “Existência”

Olhemos para o nosso mundo: é desespero puro. É um desespero por felicidade, por ser aceito, por sentir prazer a todo tempo. Todos esperam coisas cada vez mais grandiosas para se sentirem realizados e felizes, mas poxa vida, reparemos também as belezas do caminho, e não apenas o mérito da chegada. Se tivéssemos noção da bênção que é estarmos aqui, vivos, pulsando, ao abrir os olhos todos os dias pela manhã, um sorriso largo abriria de imediato em nossa face. Ok, talvez chegar neste nível de aspiração de um milagre que é a vida, só mesmo para os canonizados do cristianismo, pois grande parte de nós somos normais e acordamos xingando o despertador. O que não podemos fazer é acreditar que o despertador é a causa de nossa ira, de nossa tristeza. O problema está em como enxergamos nosso contexto.

Mas sempre vem alguém para dizer: “o mundo caga para nós, quantos passam fome, morrem de formas horrendas, quanto sofrimento há nesta Terra, quanta dor, pra quê? Como Deus teve a coragem de nos deixar aqui com todas estas mazelas?” Esta fala expõe fatos. É inegável que o mundo caga para nós, é inegável que há mais sofrimento e dor em excesso do que alegria e conforto, mas então eu pergunto: o que fazemos diante deste panorama trágico? Se vitimizar? Chorar porque o mundo não é do jeito que queremos? Vou ainda mais longe: é graças a este sofrimento e a esta existência desafiadora que podemos sentir a felicidade; e quando ela acontece, sentimos que a vida valeu a pena. Pois, como dizia Chesterton, “O desespero não está em cansar-se do sofrimento, mas em cansar-se da alegria.”

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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