PÚBLICO, GRATUITO E DE QUALIDADE?

Um dos problemas fundamentais da democracia é que todos querem viver às custas do Estado, mas esquecem que o Estado vive às custas de todos. A cultura democrática carrega em seu âmago o assistencialismo hedonista, ou seja, transferimos responsabilidades individuais para o papai estatal e assim esperamos ganhar “direitos”. Com isso, perdemos o senso da dignidade humana e de uma visão a longo prazo, pois justamente, o pensamento majoritário passa a ser a transferência de responsabilidades individuais. É quase como aquelas crianças que ficam berrando para ganhar um chocolate no mercado, pois não sabem que “ganhar chocolate” não é um direito, é uma mercadoria, e toda mercadoria custa dinheiro — os pais que o digam.

Estas greves referentes aos cortes da “educação” nos mostram todo o panorama que expliquei acima. O primeiro mito que deve ser quebrado é: “educação é um direito”. Não! Educação não é direito, é uma mercadoria. Ela custa, ela é escassa. O cômico destes jovens revolucionários é o pensamento imbecil de que se algo torna-se “direito”, logo, deixa de ser escasso. Por isso é normal vermos aqueles cartazes nas manifestações com letras garrafais: “ENSINO PÚBLICO, GRATUITO E DE QUALIDADE”.

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A primeira regra básica de economia: “não existe almoço grátis”, ou seja, alguém sempre vai ter que pagar a conta. O ensino público é pago por todos nós através de impostos, que por sinal, são muitos. Além disso, a maior parte dos serviços públicos tende a ser ruim e improdutivo, impreterivelmente pelo fator “incentivo”. Estatais não têm incentivo para funcionar; e quando digo “funcionar”, me refiro à prestação de um serviço de qualidade utilizando os recursos da melhor maneira possível. Qualquer empresa privada funciona assim, caso contrário, ela quebra, pois sua fonte de renda se baseia em seus clientes através de trocas voluntárias. Resumindo: clientes satisfeitos = lucro para a empresa e ascensão no mercado; clientes insatisfeitos = perda para a empresa e consequentemente sua bancarrota. Uma estatal é o contrário, pois não há preocupação nenhuma com o cliente. Se ela quebrar — o que acontece regularmente em nosso país —, nos cobram mais impostos. Resumindo: uma estatal não se utiliza de trocas voluntárias para obter sua receita, se utiliza da agressão, pois como todos sabem, não há diferença entre imposto e roubo. E quem discorda, é importante lembrar que tomar algo à força — seja de quem for — é um crime, mesmo que eu use a desculpa estapafúrdia que é para o bem de todos.

Tudo isto são fatos, e contra os fatos, sinto muito, mas não há como contra-argumentar. E é impressionante: mesmo explicando que 2+2 é igual a 4 para esta turminha da pesada, ainda preferem ir contra a realidade. Isto é o efeito prático deste pensamento pútrido coletivista, assistencialista e infantil. É sempre a mesma história: todos querem tudo de graça porque se tratam de “direitos” porque o Estado disse que são “direitos”. Saúde, educação, segurança, moradia, transporte, estradas, e etc são bens/mercadorias; e o mercado está aí para oferecer todos estes produtos/serviços.

“Mas o pobre não pode pagar por saúde, educação ou segurança” vai dizer o estudante inteligentinho do bem. Para começar, isso não é desculpa para eu poder roubar da população e depois distribuir o roubo “da melhor forma possível”; segundo: o Estado é o maior inimigo dos pobres. Os pobres querem segurança para defender seus bens, que já são poucos: o Estado cria o Estatuto do Desarmamento, que dificulta qualquer pobre de adquirir um simples revolver legalmente. O pobre quer educação: o Estado criminaliza qualquer entidade que ousar ensinar sem estar regulamentada pelo MEC. O pobre quer saúde: o Estado cria regulações tão complexas para se abrir uma clínica, que apenas os mais ricos conseguem. ´Por isso temos pouquíssimas diversificações de planos de saúde e todos são caros e de difícil acesso para os menos abastados. E a melhor parte: os pobres são quem mais pagam impostos no país.

Resumindo: qualquer serviço “PÚBLICO, GRATUITO E DE QUALIDADE” é impossível, e, sempre quando tentam implementar este disparate à força, o mais prejudicado é o pobre. Sim, o mesmo pobre que esta turminha diz defender.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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