DEUS ME LIVRE DE UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA

Vivemos em uma sociedade que tenta acabar ou diminuir com as desigualdades — principalmente sociais. A maior parte das pessoas talvez olhe isso como uma coisa boa — e realmente é —, afinal, seria muito injusto uns com tanto e outros com tão pouco. Aí que entra o Estado de bem-estar social, quase como um “herói” buscando a isonomia da sociedade. Suas ações se baseiam em cotas de todos os tipos, benesses financeiras para certos grupos, distribuição de renda, serviços “gratuitos” e etc.

Só tem um problema neste “herói” da igualdade: seu poder se baseia na agressão, na espoliação, no roubo. Explico: é muito fácil fazer caridade tomando à força a riqueza dos indivíduos e distribuindo ao seu bel prazer no seio da sociedade. Obviamente o Estado é ilegítimo, e qualquer um que tentar defendê-lo, terá que apoiar a agressão a não agressores. Se pensarmos bem, vamos notar que o Estado existe com a desculpa de que sem ele, todas as injustiças seriam legítimas, pois como aprendemos com Thomas Hobbes no Leviatã, o homem é o lobo do homem. A única questão que não entendo é: se o homem é o lobo do homem, por que damos um poder imensurável para poucos homens dominarem o resto? E de onde vem a ideia absurda de que é o Estado que inventou a justiça e a ética? O Estado foi o nazismo, o fascismo, o comunismo, a democracia. Todos estes regimes buscam a igualdade.

Ou escolhemos a liberdade/desigualdade ou escravidão/igualdade. Simplesmente porque à medida que os seres humanos se tornam livres para buscar sua felicidade e seus objetivos, a tendência natural é a diferenciação em todas as nuances da sociedade. Imagine se todos fossem realmente livres para empreender sem restrições, para criar serviços sem burocracia, para fazer trocas sem uma gangue impondo o que é considerado bens “legais/ilegais”, inevitavelmente haveria uma desigualdade absurda. Seria perfeito? Obviamente não, mas este é o objetivo do livre mercado: resolver os problemas dos indivíduos.

Por que temos a ideia de que igualdade é algo bom? Acho que isto está ligado à natureza humana, pois querendo ou não, sentimos inveja, logo, como alguém pode ser bilionário e viver uma vida de infinitas possibilidades e eu aqui, me matando para pagar o aluguel? Por isso que o Estado se aproveita da natureza humana para ascender. É só analisarmos os discursos políticos, todos prometendo algum direito ou buscando “corrigir” alguma desigualdade. “As igrejas precisam pagar impostos como todas as empresas.” “Ninguém pode sonegar impostos, pois aquele que sonega prejudica a vida de todos.” “Existe uma dívida histórica com os negros na sociedade e os brancos precisam pagar.” “Ocupar propriedades privadas não é só um direito, é um dever.” Todas estas frases ditatoriais foram ditas por políticos que tinham a intenção de tocar seu íntimo e fazê-lo sentir-se injustiçado. Com este sentimento, agora o político de merda ganha o seu voto, com os votos ele se elege, se elegendo ele automaticamente se torna um ser iluminado e assim é agraciado com o poder de agredir/espoliar toda a sociedade até atingir seu objetivo de acabar com as desigualdades.

Ao analisarmos um ser humano, já posso afirmar sem medo de errar que só pelo fato de ele nascer com suas características mentais e físicas, já mostrará ao mundo sua singularidade perante os outros sapiens, ou seja, nem sequer cheguei em classe social, renda, raça, e etc. Todas estas características inatas vai lhe gerar vantagens e desvantagens dentro de uma sociedade. Uma mulher estonteantemente bela terá benesses que talvez uma mulher feia nunca vai ter. Um homem alto, com voz grave pode ter mais facilidade de persuadir outras pessoas numa conversa do que um homem baixo com voz fina e irritante. Alguém que tenha uma facilidade de se comunicar pode ter vantagens na empresa do que alguém fechado e introvertido. Vou ainda mais longe: têm pessoas que parecem transparecer uma energia ruim que polui o ambiente — e não estou me atendo a pessoas negativas ou pessimistas, pois estas até me agradam. Esta energia ruim da qual estou me atendo é como se fosse algo de alma, ou seja, não há como mudar, a pessoa simplesmente transparece isso. Por outro lado, têm pessoas que só de ouvir a voz, já conseguimos sentir algo bom. É difícil de explicar, mas tendo a crer que são almas mais espontâneas, ou seja, há algo mais humano ali.

Normalmente, quando o assunto é desigualdade, políticos e principalmente a esquerda, gostam de trazer à tona a falácia da meritocracia. Guilherme Boulos gostava de enfatizar que a vida é uma corrida de cem metros, porém, alguns partiam dos cinquenta metros pra frente, pois são privilegiados dentro da sociedade. Estes privilégios se baseiam na cor da pele, na renda, na classe social, na orientação sexual, ou seja, se você é branco, heterossexual, classe média, Guilherme Boulos e qualquer político tem a missão de ajustar esta “corrida”, nem que para isso eles precisem agredir indivíduos. No fim, é isso que acontece.

E mais: quando falamos em meritocracia, tendemos a nos ater na questão do esforço, ou seja, se um indivíduo se esforça, obrigatoriamente ele precisa conseguir atingir o objetivo, ter sucesso e etc. Não! Por exemplo: imagine que eu escrevo um livro e neste processo dediquei horas, estudei, pesquisei, usei meu tempo para tal objetivo, porém, quando coloco o livro à venda, ninguém compra e ninguém vê valor naquilo. Cadê a meritocracia já que me esforcei como nunca para entregar algo valoroso para a sociedade? Com esta minha frustração pessoal, vou chorar para o papai estatal criar uma lei obrigando pessoas a comprarem o meu livro, pois como assim a sociedade não vê valor em algo tão genial? E nesta minha arrogância busco fazer a meritocracia funcionar à força, ou seja, sem o consentimento de ambas as partes.

Afirmo novamente: com certeza alguns terão vantagens em detrimento de outros, como expliquei anteriormente, mas isso não dá o direito de eu agredir uma população para corrigir isto através da força. Primeiro porque nada que o Estado faça resolve alguma coisa, ao contrário, ele cria diversos outros problemas, e segundo, mesmo que o Estado fosse onisciente e onipresente e pudesse resolver estas “desigualdades”, ele teria que agredir pessoas para atingir seu objetivo. Alguém defender isso é abjeto, pois no coração destas pessoas reside um espírito tão totalitário que até Hitler admiraria.

Mas o que seria dos menos abastados, dos injustiçados, dos mais necessitados e dos miseráveis em uma sociedade livre e desigual? Uma coisa é certa, eles teriam uma vida mais próspera e com grandes possibilidades de mudança. Quantas e quantas vezes fiscais da Receita Federal acabaram com o sustento de famílias inteiras? Eles simplesmente chegam nos camelôs, nos pais e mães de famílias que estão vendendo produtos numa praça qualquer e proíbem os pobres coitados de fazerem trocas voluntárias, simplesmente porque seu produto não é declarado ou não passou pela fiscalização estatal, que busca nos “proteger”. É um absurdo que alguém concorde com isso, aliás, que alguém tem a coragem de entrar para essa gangue e achar que está fazendo um bom serviço para a sociedade. Não! É um desserviço para todos os indivíduos que buscam viver uma vida plena.

A caridade de forma voluntária sempre foi feita através de igrejas, empresas privadas e indivíduos que se doam por outros seres humanos. A conscientização e a luta contra preconceitos também. Em uma sociedade livre, estas ações tenderiam a aumentar, simplesmente porque o incentivo para a cooperação seria maior por não ter ninguém impondo barreiras. Quando o Estado fornece bolsa família, por exemplo, o que realmente acontece é: ele rouba de todos seus súditos e devolve migalhas. As pessoas que recebem estas bolsas são resultados de todos os males causados pelo próprio Estado, ou seja, a gangue intensificou uma doença (miséria) e agora, em vez de curá-la, usa remédios (bolsas) com efeito paliativo.

Olhemos Cuba, Coréia do Norte, Venezuela: são os países mais igualitários do mundo, justamente porque nestes lugares a população é quase obrigada a continuar na pobreza, logo, os únicos ricos são os políticos/burocratas/ditadores. Deus me livre de uma sociedade igualitária.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicoterapeuta. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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