NÃO HÁ MEIA LIBERDADE DE EXPRESSÃO: OU ELA É INTEIRA, OU ELA NÃO EXISTE

Eis que vivemos na era do ressentimento, na era dos direitos inacabáveis, na era do politicamente correto. “Jovens, façam suas lutas, defendam suas ideias, chorem em seus quartos, mas por favor, não tolham a liberdade de expressão dos indivíduos.” Me direciono aos jovens principalmente porque todo jovem tem um espírito revolucionário e totalitário, por isso é importante que envelheçam rápido. E a democracia deu voz e vez a todos estes idiotas, pois justamente, onde há massa, onde há multidão, nunca poderá haver bom senso. Na multidão há linchamentos, opiniões de massa e o maior número de totalitários por metro quadrado querendo calar a boca de quem discorda deles.

Meu objetivo com cada frase deste texto é fazer você, leitor, entender que nunca podemos cercear a liberdade de expressão dos indivíduos. Afrontar contra a liberdade de expressão é uma blasfêmia à existência humana. Dói por muitas vezes ver indivíduos e grupos defendendo causas estúpidas e vis, mas, por bem ou por mal, eles têm o direito natural de expressar o que acreditam.

A frase clichê “na liberdade de expressão não deve haver exceção” está certíssima, pois é muito fácil você aí, jovem revolucionário que diz defender a liberdade das minorias, ser a favor de leis que tornam crime ofender alguém ou algum grupo. Vocês já pararam para pensar no quão absurdo é existir crimes de ofensa? Pois no momento em que eu colocar exceções na expressão humana tornando crimes, por exemplo, ofender gays, negros, gordos, diabéticos e etc, vai chegar o momento em que teremos que proibir o ser humano de se expressar. E lembre-se que “expressão” vai muito além de falar… Expressão pode ser eu abrir um empreendimento, compor uma canção, escrever um livro, pintar um quadro. É só olharmos para os regimes mais ditatoriais do mundo e analisarmos a que ponto podemos chegar no cerceamento da liberdade individual.

Não estou dizendo que não podemos nos ofender, porque não controlamos a ofensa em nós, mas uma coisa é certa: se tu se ofende por qualquer ninharia, há uma grande possibilidade de você não ter senso de humor e ser um daqueles caras chatos sem testosterona que fica ressentido por tudo, logo, o resultado disto é a vitimização. E pensando bem, o problema nem é a vitimização em si, mas o que se faz com ela. Vamos lá, acho que entre meus amigos, eu fui um dos que mais sofreu bullying na infância e principalmente na adolescência, mas como reclamar? Eu tinha uma cabeça gigante em relação ao meu corpo, que era quase esquelético, andava todo desengonçado, não sabia me vestir (até hoje eu não sei, mas melhorou), meu corte de cabelo era aquele estilo cogumelo e minha locução verbal era quase pior do que aquelas crianças que possuem alguma síndrome prejudicando a fala. Como alguém assim não sofreria ofensas? E uma das únicas certezas que tenho na vida é de que crianças são cruéis. Mas o que eu fazia quando era ofendido? Bem, na maior parte das vezes ficava enraivecido, irado, colérico, tinha vontade de sair dando chute em todos eles, mas como eu era um covarde, o máximo que eu fazia era contra argumentar. Então tudo ficava pior, porque a partir do momento que eles percebiam que aquilo mexia comigo de alguma forma, a ofensa se multiplicava, é quase como apelido, só pega quando damos importância. À medida que fui aprendendo a lidar com a ofensa no sentido de eu mesmo me desprezar e conseguir rir disto, tudo melhorou. Aí está o senso de humor: é quando conseguimos rir das nossas desgraças. As pessoas não entendem que quanto mais proibirmos e colocarmos tabus nestas questões “santas”, mais fácil será de “profaná-las”. É só pegarmos o humor: por que o humor negro é tão bom? Porque ele ataca questões que são tabus na sociedade.

E já que entrei neste tema, é bom lembrar aos fascistas de plantão que não há limite no humor, o único que pode colocar limites é quem está fazendo a piada ou o dono do local que contratou o show, logo, o comediante corre dois riscos: a apoteose e a vaia, mas nunca o risco de ser preso ou pagar multa por ofender pessoas.

Resumo da obra: não existe meia liberdade de expressão, ou ela é inteira, ou ela não existe.

PS: e antes que alguém pergunte: há uma diferença enorme entre ofensa e agressão física. Agressão é um crime objetivo e deve ser punido, diferentemente de uma ofensa, que é subjetivo e só deve ser considerado crime caso haja fraude. Por exemplo: o indivíduo A mente que foi estuprado pelo indivíduo B, por este relato, o indivíduo B é chamado para depor e perde dias de trabalho até ser comprovado que ele é inocente. Note que as propriedades de B foram agredidas, pois ele perdeu tempo e dinheiro pelo fato de A ter mentido, logo, A terá que ressarcir B. Concluindo: houve agressão física à propriedade, houve crime.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

Um comentário em “NÃO HÁ MEIA LIBERDADE DE EXPRESSÃO: OU ELA É INTEIRA, OU ELA NÃO EXISTE

  1. Exatamente, todos tem o direito a piada ou a arte, mesmo que seja de gosto duvidoso, só não pode ser com o dinheiro dos pagadores de impostos.

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