O ÓDIO NOS MOVE

Talvez não há nada mais motivador do que o ódio. Sem dúvida, ele usado de uma maneira motivacional, faz o ser humano fazer coisas que jamais faria se estivesse apático ou cheio de felicidade falsa. Eu sou movido pelo ódio e tenho plena consciência disto. Os melhores vídeos que gravei, estava com ódio; as melhores músicas que compus, estava com ódio; os melhores textos que escrevi, estava com ódio.

Ao contrário do que diz nosso mundo politicamente correto, é preciso odiar. Já falei que o maior “progresso” atual é a tolerância no sentido que não precisamos matar ou agredir fisicamente quem não concorda com nossos argumentos, mas, se tratando de liberdade de expressão, e nela não deve haver exceção, podemos odiar e ter preconceitos à vontade. Aliás, isso é uma válvula de escape para muitas pessoas.

Me sinto mais leve depois de escrever um texto atacando coisas das quais odeio. É quase uma terapia. E, normalmente, quando alguém está com ódio, podemos ver algo de espontâneo num mar de falsidade. Marcia Tiburi escreveu um livro cheio de cagação de regras discutindo como conversar com um fascista, levantando o argumento que fascistas não dialogam. Então, em um momento de ódio, quando obteve a chance de enfrentar um “fascista” cara-a-cara, seu ódio era tanto, que ela sequer conseguiu ficar no mesmo ambiente que o seu odiado. Pelo menos ela foi sincera: seu ódio deixou claro que Marcia é uma covarde moral.

Podemos ver nossa seleção brasileira contra a Suíça no domingo, um vexame, um bando de jogadores sem sangue nos olhos, sem raça, sem vontade, sem odiar o adversário; ao contrário do Brasil, a Suíça veio com violência, marcação forte, esperteza e um ódio irascível contra Neymar, que não jogou nada. Para ser sincero, não sei se o Brasil passa da primeira fase se continuar jogando em busca da “posse de bola”.

Penso seriamente que o futebol substituiu os jogos romanos, onde guerreiros entravam numa arena e lutavam para sobreviver. Sobravam poucos para contar a história. As arenas lotavam com a plebe louca por violência. Queriam ver sangue, bravura e força. Era o pão e circo da época que acalmava as massas, ou seja, a violência pacificava a plebe. Hoje temos o futebol, uma maneira mais sofisticada e menos sanguinária de nos entreter.

O cerne da questão é que amamos ver o conflito, a competição, a raça, a rivalidade, a vitória, a violência, e claro, o ódio. E como evoluímos como sociedade, criamos uma violência legalizada: futebol, lutas, futebol americano e etc. E isso é ótimo. Não podemos deixar que a contemporaneidade destrua o humano que há dentro de nós; e o ódio que nos acomete é tão humano quanto a tristeza e a angústia.

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