COMO SER OTIMISTA DIANTE DA CONTEMPORANEIDADE?

O marketing que se faz do mundo contemporâneo é de pessoas cada vez mais independentes e donas do próprio desejo; pessoas cada vez mais livres e interessantes; pessoas cada vez mais justas e democráticas. E a visão que recai sobre este panorama está ligada a algo bom e certo, logo, quem discorda de toda esta baboseira travestida de progresso, é tachado de conservador, fascista, preconceituoso ou anacrônico.

Não quero aqui ter aquele papel de “tiozão” que diz: “porque no meu tempo…” Primeiro porque eu ainda não sou tiozão, eu acho, e, segundo: o tiozão pode estar certo, mas pode estar errado. O meu problema com todo este marketing contemporâneo toca justamente na questão que caminhamos continuamente para um progresso inevitável, sem sequer refletir sobre a inexorável natureza humana que há à espreita.

Talvez nunca se tenha vivido em uma sociedade tão escrava do próprio desejo quanto a nossa. Podemos sair todos os dias, transar com quem quisermos, beber até se esgotar, se drogar até cair e ainda nos achamos independentes e donos do desejo, quando, na verdade, não passamos de um bando de robôs automatizados incapazes de pensar ou refletir. O desejo vem e logo matamos sua sede; e, mesmo depois de saciá-la e tendo a consciência maculada, fingimos estarmos no controle, pois o que importa é o marketing da independência.

Será que ficamos mais interessantes, inteligentes e politizados? Tendo a achar que ficamos mais desinteressantes e com um pensamento de massa padronizado, que avilta contra o indivíduo realmente independente, e, mais uma vez, o que vale é parecer inteligente ou interessante, e não, de fato, sê-lo. Pelo menos, antigamente, existiam os canalhas e ignorantes honestos — como dizia Nelson Rodrigues —, hoje temos canalhas e ignorantes que se acham os salvadores da humanidade.

E será que somos mais justos e “democráticos” hoje em dia? Justiça e democracia são termos antagônicos em essência, ou seja, quanto mais acreditarmos na democracia, mais fundo adentraremos na injustiça. A democracia criou um mercado de mimados, covardes e ofendidos. Qualquer ofensa verbal ou escrita é motivo para processar alguém através de um estado ilegítimo. A internet está cheia de “caçadores de ofensas”, vulgo: um bando de covardes morais que não aceitam ser contrariados e não entendem que na liberdade de expressão não há exceção.

Como ser otimista diante deste panorama trágico? Seguimos por amor às causas perdidas. Por sorte, ou azar, temos este algoritmo de esperança na alma. Sempre tentaremos dar um jeito, procurar uma solução, ver o lado bom, resumindo: sempre vamos procurar a felicidade, ou, como dizia Mises: “O objetivo final da ação é sempre a satisfação de algum desejo do agente homem. Só age quem se considera em uma situação insatisfatória, e só reitera a ação quem não é capaz de suprimir o seu desconforto de uma vez por todas. O agente homem está ansioso para substituir uma situação menos satisfatória por outra mais satisfatória.” Graças a Deus que somos um animal eternamente insatisfeito.

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