NOTA LITERÁRIA #06 – A ZONA MORTA (STEPHEN KING)

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Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que este foi o melhor dos três romances que li de King. Com uma atmosfera que não te deixa relaxar, A Zona Morta traz um enredo digno de uma das mentes literárias mais brilhantes da atualidade.

Imagine que você tem a bênção ou a maldição de ao tocar em alguém, descobrir coisas sobre o passado ou o futuro desta pessoa. John Smith, o protagonista da obra, tem este poder. A história não deixa claro se isso foi uma dádiva divina ou uma disfunção cerebral após seu coma de 4 anos e meio depois de sofrer um acidente de carro.

John é um cara bom de coração, daqueles que nunca chutaria um cachorro, por exemplo. Porém, quando aperta a mão de um sujeito que pretende chegar na presidência dos Estados Unidos, John vê algo terrível que poderá exterminar a humanidade. Então ele entra num ciclo de angústia, matar ou não matar o tal sujeito? Quem vai acreditar em um homem que vaticina uma catástrofe? E como viver sabendo que no futuro milhões e milhões de humanos serão mortos sendo que esta tragédia poderia ter sido evitada?

Confesso que não gostei muito de John no começo da história; era um homem bonzinho demais; não tinha ódio, rancor ou traumas. Mas ao longo da trama, entendemos o porquê King fez seu protagonista com esta característica em especial.

O livro me deixou tão vidrado que esqueci de marcar diversas notas enquanto lia a obra. Marquei apenas as sete que estão abaixo:

“De repente ela percebeu que estava sozinha tarde da noite em um apartamento, comendo uma maçã, vendo um filme na TV que não lhe interessava e que fazia tudo isso porque era mais fácil do que pensar. Pensar era de fato muito maçante, principalmente quando tudo que uma pessoa tinha na cabeça era ela mesma e um amor perdido.”

“Uma das coisas de que mais gostava em Johnny era o fato de ele estar sempre procurando acertar, tentando fazer a coisa certa, mas sem nenhuma baixeza servil.”

“— Ouvi dizer que as pessoas que saem de comas longos não costumam durar muito — disse Johnny. — Têm uma recaída. É como uma lâmpada brilhando intensamente antes de queimar para sempre.”

“— Aprendi pela experiência — continuou Chatsworth — que noventa e cinco por cento das pessoas que caminham sobre a Terra são simplesmente inertes, Johnny. Um por cento é santo e um por cento é imbecil. Os outros três por cento são as pessoas que cumprem o que dizem que vão fazer.”

“De novo: A Pergunta. Ele a havia escrito em um dos cadernos de anotações e ela continuava reverberando. Johnny a escrevera em letras caprichadas e depois desenhara um círculo triplo ao seu redor, como se quisesse impedi-la de sair de lá. A Pergunta era a seguinte: Se você pudesse pular em uma máquina do tempo e voltar a 1932, você mataria Hitler?”

“Pela primeira vez na vida lia por prazer. Como um garoto que tivesse acabado de ser iniciado aos prazeres do sexo por uma mulher mais velha, Chuck estava fazendo uma festa.”

 

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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