DEMOCRACIA, UTILITARISMO E A DITADURA DA MAIORIA

Toda democracia é utilitária; mas o que seria o utilitarismo? O utilitarismo é uma doutrina que se diz ética, proposta primeiramente por Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873). Tal doutrina fundamenta-se no princípio de utilidade, que determina que a ética deve basear-se sempre em contextos práticos, pois o agente moral deve analisar a situação antes de agir, e sua ação deve ter por finalidade proporcionar a maior quantidade de prazer (bem-estar) ao maior número de pessoas possível para que seja moralmente correta.

A ideia parece bonitinha, mas carrega em seu âmago a coibição do indivíduo, logo, o cerceamento da liberdade e uma ditadura da maioria. Explico: para o utilitário, o cálculo é a base de qualquer ação dentro da sociedade. Assistam a debates políticos: “as drogas precisam ser proibidas porque causam grande sofrimento às famílias e para a sociedade.” “As armas devem ser proibidas pois foram causas de 60.000 homicídios no Brasil no ano de 2016.” “O aborto deve ser permitido, pois 20%(número hipotético) das mulheres morrem em clínicas de aborto.” “Gays não devem adotar crianças, pois 50%(número hipotético) delas se tornam depressivas.” “O sal deve ser proibido, pois as doenças do coração são a maior causa de mortes no mundo.”

Percebem como este pensamento de analisar a sociedade como se cada um fosse um algoritmo usado para um cálculo vil sempre nos levará à perda de liberdade, pois não existe uma ética universal objetiva, o que temos é uma “ética” subjetiva, que se analisarmos epistemologicamente, não pode haver uma ética que não seja universal, logo, a ética utilitária é antiética, por definição. E o que seria uma ética universal? É uma ética que vale para todos indivíduos igualmente, independente de tempo e lugar.

Enquanto vivemos nossas vidas com nossos problemas, nossas rotinas, nossas angústias, raramente temos tempo e saco para refletir sobre assuntos que permeiam toda nossa realidade, pois já nascemos dentro deste ciclo antiético. Quando eu falo que imposto é roubo, por exemplo, não é apenas uma frase da moda, ou porque no Brasil os impostos são muito altos, mas é roubo na sua essência do que a palavra roubo significa. É roubo no Brasil, no Canadá ou na Suíça. Quando eu defendo que todas as drogas devem ser liberadas, que qualquer indivíduo possa se armar ou que casais gays possam adotar crianças sem que um Estado arbitrariamente (por um cálculo) se meta na relação de trocas voluntárias, estou amparado pela única ética possível: a ética libertária.

Notem que ninguém é obrigado a gostar de gays, de armas ou de drogas, mas ninguém tem o direito de cercear estas liberdades por meio de um Estado. Ou seja, se este indivíduo pacífico quiser comprar uma arma, casar com pessoas do mesmo sexo e usar drogas, o corpo é dele, ou seja, ele é dono dele mesmo e ninguém tem nada a ver com isso. Se este indivíduo agredir um outro indivíduo pacífico, seja com uma arma, seja por estar drogado ou por qualquer outro motivo, ele deve ser penalizado e pagar uma pena por seu crime.

O que não podemos admitir, é presumir que um indivíduo com liberdade vá cometer um crime. E isso é o que acontece em nossa sociedade utilitária. O Estado, pensando em um bem-estar coletivo, tole liberdades individuais a seu bel prazer sustentado por cálculos — e às vezes nem isso — estatísticos ou pelo poder da maioria. O maior perigo desta regulação estatal, é chegarmos ao nível de uma Venezuela, Cuba, Coréia do Norte ou a antiga União Soviética. Todos estes regimes queriam igualdade, regulação, taxação e um bem-estar coletivo. A conta veio depois, mas não em apenas valores monetários, mas em vidas humanas: mais de 100 milhões de mortos, sendo que a grande maioria por inanição.

Paremos para analisar o nazismo: a grande parte dos alemães apoiava Hitler na sua luta diária para eliminar judeus e outras “raças” que não eram arianas. O nazismo poderia ser considerado uma democracia utilitária partindo da premissa que democracia é o poder da maioria e utilitarismo é o bem-estar desta maioria?

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Por isso que qualquer regime que consista em um Estado, será antiético, pois o Estado é, na sua essência, um expropriador. Quando tomamos esta consciência, nos tornamos libertários e passamos a defender com afinco o único regime ético possível: o libertarianismo.

Talvez você esteja se perguntando o que seria ética libertária, agressão, indivíduo pacífico, trocas voluntárias, democracia ou mesmo o libertarianismo. Caso você se interesse pelo assunto, segue abaixo alguns links para maior aprofundamento:

A Ética Libertária

A ANATOMIA DO ESTADO – Murray N. Rothbard

Dez Lições Fundamentais da Escola Austríaca – Ubiratan Jorge Iorio

O que deve ser feito – Hans-Hermann Hoppe

A Lei – Frédéric Bastiat

A ÉTICA DA LIBERDADE – Murray N. Rothbard

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicoterapeuta. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

2 comentários em “DEMOCRACIA, UTILITARISMO E A DITADURA DA MAIORIA

  1. Excelente texto! Bastante esclarecedor e com argumentos que refletem a nossa infeliz realidade política, econômica e moral. Se mais pessoas tomassem conhecimento de como o Estado acaba com uma sociedade, ele deixaria de ter o poder totalitário que tem. Aos poucos, bem aos poucos, as coisas estão mudando.. os cidadãos tem mais consciência em não aceitar qualquer lei absurda imposta pelo Estado. Pena que ainda as pessoas depositem tanta fé em políticos que não estão nem aí para elas, apenas interessados no dinheiro arrecadado em forma de impostos para usufruir em benefício próprio. Libertarianismo é a saída. Não é revolução, tampouco desordem… É a ordem que nenhuma forma existente de governo conseguiu alcançar!

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