NOTA LITERÁRIA #01 – PRA SER SINCERO (HUMBERTO GESSINGER)

Olá a todos. Tive a “brilhante” ideia de fazer postagens sobre as notas que marco dos livros que leio. Como estou lendo muito no Kindle, consigo marcar tudo que acho interessante. Além de ser uma forma de resenhar os livros, também pode ser um jeito de pessoas interessadas nestas obras obterem mais informações de uma maneira mais “direta” e tirarem suas próprias conclusões a partir das palavras dos próprios autores.

Livro: Pra Ser Sincero: 123 variações sobre um mesmo tema
Autor: Humberto Gessinger

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Notas:

“O mundo pop é muito novidadeiro. A onda é vir, a cada ano, com outra onda. Como se novidade fosse um valor em si. Sempre achei empobrecedor pensar assim. Prefiro artistas que abrem poucas portas e se jogam na sala escura a artistas que abrem todas as portas só pra dar uma espiadinha.”

“Paradoxalmente, somos mais gaúchos fora do RS. No estado de origem, somos só mais um. Se não te deixar insensível, a distância pode colocar tudo em perspectiva. Na capa, estou de bombacha. Fiz toda a turnê assim. Um gaúcho “para exportação”, ainda assim, um gaúcho.”

“Nunca gostei de compor no estúdio. Herança dos tempos de vacas magras em que os estúdios, em Porto Alegre, eram poucos e, para um estudante sem grana, caros. Entrávamos de costas para sair mais rápido. Sempre superensaiados. Com o GL&M foi diferente. Escrevi febrilmente, não conseguia parar. Gravávamos alguma coisa, vinham outras ideias, eu refazia, remontava. Na época, as gravadoras tinham seus próprios estúdios.”

“É cíclico, no mundo pop, pintarem algumas ondas mais selvagens. Era o auge do grunge com suas camisas de flanela xadrez, calças rasgadas, sangue nas paredes e guitarras Fender Jaguar. Abrimos para a melhor banda do movimento, Nirvana. A imprensa fez a papagaiada de sempre. Nós fizemos o show de sempre. A onda era escarrar? Sinto muito, aí vai uma canção que eu fiz pra minha filha. Com meu violãozinho de cordas de náilon. Pra que se monta uma banda, senão para noites como esta?”

“Ser datado é legal. Ser ultrapassado também pode ser, pois não se trata de uma corrida. O carro que tu vias pelo retrovisor te ultrapassa, tu vês o caroneiro de perfil, depois uma criança te abana pelo vidro traseiro. Nunca te aconteceu? É bonito. Algumas crianças mostram a língua, depois sorriem. É bonito. Depois eles param pra tomar um refri, ir ao banheiro, tu passas pelo carro parado, assim vai… Na verdade, ninguém ultrapassa ninguém. Isso aqui é um imenso transporte coletivo. Estamos no mesmo barco e ele ainda flutua.”

“agora que o tempo é relativo não há tempo perdido, não há tempo a perder num piscar de olhos, tudo se transforma tá vendo? já passou… Ficamos um tempo parados e voltamos…”

“Se a pomba desenhada por Picasso voasse, seria um fracasso.”

“Outra coisa que “não é bem assim”, ao menos para mim, é o ato de compor. Nem sempre é linear como as pessoas imaginam. É sempre autobiográfico, mas a biografia pode ser escrita num código indecifrável até pra quem escreve.”

“Pintam músicas alegres quando a gente está triste. O contrário disso também pinta.”

“Como o caráter autobiográfico, a influência não é linear. Ela é processada. A gente ouve um tango e escreve um rock pesado. A gente lê um poema e faz música instrumental. Leonard Cohen te leva a um frevo, e um samba da Mangueira te traz um réquiem.”

“Geralmente escolhiam a canção mais parecida com o que estivesse fazendo sucesso. Nem sempre, quase nunca, tínhamos muito a oferecer nesse sentido. Uma vez que eu só gravava o que quisesse e da maneira como quisesse, por mim, podiam mandar qualquer música para as rádios. As canções têm uma sabedoria própria, dão um jeito de achar os ouvidos a que estão destinadas. As menos óbvias acabam ganhando o divertido status de “lado B”, a delícia dos fãs mais radicais.”

“Gosto muito das duas músicas inéditas do disco, Armas Químicas e Poemas e Outras Frequências. Precisava escrevê-las, faltavam. É a única razão para fazer uma canção, sentir falta. A cada música que escrevemos, menos faltam. Em tese, a fonte das canções é inesgotável. Mas teses não têm só um coração no peito. Com o tempo, escrever fica um pouco mais difícil e muito mais divertido.”

“Há tanta coisa para separar as pessoas: time de futebol, classe social, partido político… Bacana que a música nade contra a corrente e junte o pessoal.”

“Câmera num tripé, eu tocando a música, sem cortes, na versão mais primitiva possível, assim que eu achasse que ela estava pronta (aí vai mais uma mentira: nunca se sabe se uma canção está pronta. Mas, tudo bem, se formos literais, a vida em sociedade fica impossível. Então, fazemos de conta que uma canção, um dia, fica pronta).”

“Quanto mais cosméticos a tecnologia de estúdio oferece, mais me fascina o que só acontece uma vez, numa noite, em frente a algumas pessoas.”

“Isso mesmo, a insatisfação pode ser um combustível que a felicidade não é.”

“Uma pergunta que ouvi recorrentemente nesses anos todos é sobre inspiração. Quando pintam as canções? Algum lugar especial para compor? De onde vêm as canções? Não há resposta. Elas chegam a qualquer hora, em qualquer lugar. Vindas não sei de onde.”

“TRIBOS E TRIBUNAIS Acho que foi a primeira música que fiz com Augusto Licks. Nas parcerias com ele, era mais frequente eu mandar a letra antes. Gosto de fazer minha parte sozinho. Criações cole-tivas oferecem o risco do denominador comum. Além disso, variações de humor não me fazem uma boa companhia quando estou escrevendo. A imagem do cara come-çando um livro pelo título e acabando com a palavra “fim” não pode ser menos real, pelo menos para mim. Raramente é linear, a criação.”

“escrever é quebrar a ponta apontar o lápis livrar da casca que protege o grafite impedir que a mão aceite o limite amassar o papel errar a cesta ir do céu ao chão por vocação deixar em branco deixar no ar ensinar a mosca a sair da garrafa esperar que a garrafa sobreviva ao mar…”

“Cai a neve na vitrine, e a gente derrete ao sol,…”

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2 comentários em “NOTA LITERÁRIA #01 – PRA SER SINCERO (HUMBERTO GESSINGER)

  1. Que legal, Gessinger! nem sabia do livro dele, vou ler… certeza!
    Fragmentos de comentários muito bem escolhidos pelo senhor.Vou pegar um! A sabedoria e o talento dele, realmente me impressionam, assim como a sabedoria dos que se jogam na sala escura dos seus próprios ideais. Ainda bem, que existem pessoas assim, no meio de tanta superficialidade humana, musical e de palavras. Foi legal ter vindo aqui, postagens interessantes às suas, curti! Minha música preferida dele é; Outras frequências…).
    Flores!

    Curtido por 1 pessoa

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