INÚTIL

Há tempos não escrevo no blog; é por um bom motivo: estou escrevendo um romance que tem me tomado grande parte do tempo. Também criei um canal no YouTube referente ao blog. Porém, em certos momentos me dá um vazio, como se eu precisasse produzir algum conteúdo à parte, seja uma música, texto, conto ou poesia.

A vida vai passando, e quando nos damos conta, já estamos velhos para muitas coisas. O que vamos deixar para esse mundo? Já sentiram aquele sentimento de inutilidade, como se a vida passasse diante de seus olhos e de alguma forma tu precisasse sentir-se útil, mas não útil para os outros, e sim, para si mesmo?

Chegamos em casa, às vezes exaustos, deitamos no sofá, ligamos a televisão e ficamos ali, apáticos, enfados de várias variáveis. Levantamos, tomamos banho, comemos, assistimos novela, seriado ou um filme e vamos dormir. E assim vai, um dia após o outro. De vez em quando postamos uma foto clamando por curtidas em uma rede social ou qualquer coisa que chame a atenção para nossas vidas. De repente, quando vemos, passou um ano, dois anos, dez anos, vinte e cinco anos.

Este sentimento de inutilidade, por mais paradoxal que seja, é útil. Foi isso que levou homens a fazerem coisas gloriosas. Foi aquela dúvida consigo mesmo, a angústia da alma, a culpa por ter falhado, o arrependimento, o remorso. Porque no fundo nós somos isso. O que nos humaniza é o fracasso; e o sucesso pode te tornar ridículo, mesquinho e mimado. E não há nada mais vil do que alguém que se acha puro, santo ou que diz ter achado a fórmula perfeita de como devemos viver. Quem não tem consciência do mal que há dentro de si, não tem um mínimo de autoconhecimento.

Mas penso que talvez seja pior ainda quando não sentirmos mais este sentimento de inutilidade, quando dermos por vencidos, quando acharmos que não tivermos mais razões para desbravar nossa própria inteligência. Quando deixarmos de explorar amiúde nossa capacidade de descobrir e aprender algo neste universo infinito, aí então poderemos chorar e nos enterrarmos num caixão, e deixar que a natureza nos transforme em combustível fóssil.

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