A CIÊNCIA DO SEXO

Não existe nada mais chato que a ciência do sexo. Nossa era está repleta de teorias e mais teorias sobre o sexo politicamente correto, mas sexo não se teoriza, se pratica. Hoje vamos para a cama e levamos um manual enorme de como satisfazer a parceira; e nada de ultrapassar os limites hein safadinho, só faça o que ela pedir, caso contrário você será considerado um machista pelas feministas e pelos homens frouxos, mesmo que sua mulher adore apanhar – e é óbvio que ela adora. O sexo se tornou mecânico, científico e teórico.

Aqueles manuais do tipo “como fazer sua parceira gozar em dez passos”, ridículo! Fórmulas prontas para uma das coisas mais sublimes e particulares que existe: o sexo. Achamos que nossas mães e avós eram caretas e inocentes, e que talvez nunca tenham gozado. Tenho a sensação que na época de nossas avós e mães se transava mais e melhor do que hoje. E isso porque não existia a pressão de parecer “bem resolvido”. Elas apenas transavam, e não ficavam levantando bandeiras ideológicas querendo proibir a posição “de quatro” na hora do coito, pois tal posição (uma das melhores) seria um ato de machismo.

Em nosso mundo contemporâneo, os teóricos do sexo exclamam por aí para as pessoas transarem, se conhecerem, mas sempre com camisinha. Imagina o risco né gente! O sexo virou marketing, e só. Hoje vamos pra cama e temos que ser os melhores (pelo menos na teoria), caso contrário a concorrência está batendo à porta para tomar o seu lugar. Não podemos relaxar nunca; nem na nossa cama depois de uma esplêndida gozada.

Em todo lugar as pessoas dizem: transem, mas transem muito. Não sejam inibidos, se libertem. Quando na verdade, se atentarmos para a natureza humana, percebemos que a castidade dá muito mais tesão que a libertinagem, que uma mulher seminua é extremamente mais sexy que uma mulher arreganhada aos quatro ventos, e que uma mulher com segredos e desejos ocultos é muito mais interessante que uma mulher tagarela que sai falando pra Deus e o mundo com quantos caras ela já transou, e ainda conta cada detalhe das transas como se tivéssemos que aplaudir.

Tudo isso que apresentei é uma constatação real. Eu vivo isso. Vivo neste mundo, em pleno século XXI. Os caras da minha idade injetando bomba para ficarem sarados e tomando viagra para serem “mais homens”. As meninas da minha idade se achando independentes, algumas odiando os homens, outras, dando para o primeiro que aparece, mas ambas superficiais. Tanto os caras, quanto as meninas, vítimas de um sensacionalismo vil professado pelos nossos “intelectuais” do mundo contemporâneo, que transformaram o sexo em ciência.

Ninguém mais sabe o seu papel – principalmente na hora do sexo -, nem homem nem mulher. Aliás, não poderemos mais falar em algumas escolas para as crianças “meninos” ou “meninas”, deveremos falar “meninX”. Isso mesmo que você leu. Não existirá mais o masculino ou o feminino, seremos o que quisermos ser, nem que para isso passemos por cima da biologia. Quando li isso não acreditei, mas é verdade.

Às vezes o mundo é ridículo, e quem o ridiculariza somos nós. Oremos.

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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