A FOME E A FALTA DE APETITE

Necessito de amor
Um amor perene
Não ilusório
Nem efêmero

Não finja me amar
Não há como fingir amor
Não se obrigue a me amar
Não atente à dor

Sofro por dentro
Por um amor que não responde
Me acabo, me divido, me pergunto
Sou tão diferente dos outros homens?

Tenho fome deste amor
Quero comer até encher
E depois comer de novo
E de novo, e de novo…

Tenho sede deste amor
Quero beber até encher
E depois beber de novo
E de novo, e de novo…

Quero acordar de manhã aos beijos
Sentir sua língua na minha
E não se importar com o bafo matinal
Afinal de contas, isso é o amor real

Sou insaciável
Quero fazê-la sentir prazer
Sentir o que sinto
Laurear o infinito

Um infinito com final
Um final demasiadamente feliz
E você, o que me diz?

Então juntou a fome com a falta de apetite
Eu sou a fome
E você é o meu bife

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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