O GIBI

            Alguns anos atrás, ainda no ensino fundamental, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Antônio Francisco da Costa Lisboa, mais conhecida como “Industrial”, na cidade de São Francisco de Paula – RS crescia uma turma de amigos atípica em vista de outros grupos. Sei lá, eram mais unidos, havia uma sinergia subjetiva. Certo dia, o Duda apareceu na escola com um gibi. Grande Duda, este com certeza vai ficar na história. Não era um gibi comum pra nossa idade. Lembro ainda que a capa do gibi era preta com o desenho colorido, havia um homem usando uma jaqueta de couro e uma loira exuberante de mini blusa rosa e uma calça jeans justa, as páginas do tal gibi eram em “preto e branco”, definitivamente não era um gibi do Super-Homem, do Homem Aranha ou do Tex, deste ultimo sou fã até hoje.

          Estava eu, comprando uma torrada no bar, quando de repente avisto todos meus colegas (homens) reunidos em volta do Duda. E claro que eu, como bom curioso fui até eles. Eram risadas, caras de espanto, gritos atônitos, pessoas efusivas. Entrei na dança! Foi minha primeira experiência com um gibi pornô. Aquela mulher com seios grandes, cintura fina e com cara de puta fez eu e meus amigos não notarem nada a nossa volta. Então os idiotas estavam na quarta ou quinta série, no meio de todo o colégio, lendo gibi pornô, ou melhor, vendo. Sempre tinha um mais idiota ainda para lê-lo em voz alta. A cada fala da moça lida em voz alta por alguém dos meninos chamava a atenção de outros meninos, que deixavam maior a “rodinha”.

         – Ouve, ouve, ouve!!! – Gritava um dos meus amigos. E em seguida citava a seguinte frase do gibi:
– “Ahhh, vai, mete em mim e depois goza na minha boca!” –

         A galera não se controlava. Eram gritos e risadas. A maioria passando pela primeira experiência com gibi adulto. Claro que isso não iria acabar bem, e não acabou. A professora Eduarda, uma das mais ortodoxas no ensino notou aquele tumulto, como todo o colégio. Não deu tempo de correr. O gibi foi parar nas mãos erradas (ou certas) antes que alguém pudesse fugir. A primeira coisa a ser questionada pela professora era saber quem foi o responsável pelo tal gibi adulto. O Dudão, como um bom samaritano assumiu a culpa, e nós ficamos com ele. Começou a pedir desculpas e contar como o gibi foi parar no meio do recreio.

        – Eu deixei minha mochila aberta em casa escorada no armário do meu irmão. Essa “revistinha” estava em cima do armário dele e eu acho que caiu dentro da minha mochila professora.

         A professora Eduarda não acreditou na história, óbvio. Mas acabou tudo certo. Virou mais uma história pra contar e dar belas risadas. A desculpa usada pelo Duda até hoje é motivo de chacota entre nós. E amizade é isso, passe o tempo que for vamos dar risada e zombar um dos outros das “cagadas” e “merdas” que fizemos no passado. O importante é ter histórias pra contar!

Publicado por Guilherme Angra

É escritor e psicanalista. Publicou seu primeiro livro em março de 2018, Quando a Vida Vale a Pena: Reflexões sobre o Amor e Outras Doenças. Depois disso, publicou seu primeiro romance em fevereiro de 2020, o Depois de Nós. Escreve textos semanais em suas redes sociais desde 2018. Em 2021 iniciou seu maior projeto até então, o Querido Sobrevivente, que tem como objetivo ajudar as pessoas a construírem uma vida com substância. Faz postagens regularmente em suas redes sociais trazendo reflexões da vida como ela é, e oferece atendimento psicoterapêutico de forma online e presencial.

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